Opinião
TEMPO DE ESPERAS
Depois de ?Angústia? e ?Travessia?, os meus dois últimos textos, me atrevo, agora com mais convicção, a falar sobre o momento certo para deixar a vida pública. E que coisa boa o que está acontecendo comigo. Estou sendo estimulado por inúmeras pessoas a continuar escrevendo. Afinal, me dizem que, democraticamente e com muita transparência, abro a minha alma neste momento que vivo. E por que hoje falo sobre ?Tempo de Esperas?? Muita gente não sabe mas, depois do trabalho, o que mais me encanta é a leitura. E lendo o já consagrado padre, escritor e evangelizador Fábio de Melo, fico encantado quando ele descreve o itinerário de um florescer humano, em um dos seus livros, que leva exatamente como título: Tempo de Esperas. Todo ser humano almeja o sucesso. Não confundir sucesso com fama, que são coisas diferentes. O sucesso depende única e exclusivamente de cada um de nós. Já a fama, só poucos conseguem. Particularmente, vibro mais com o sucesso das pessoas. Os exemplos falam por si. Vide Michael Jackson e Amy Winehouse, mais recentemente, e o nosso Mané Garrincha, no passado, como pessoas que não conseguiram sobreviver à fama. O momento atual da minha vida profissional tem sido difícil. Faço o que gosto, mas entendo também que, na vida, existem o ideal e o possível. O ideal é minha continuação na vida pública. O possível é minha volta à iniciativa privada. Até porque foi na iniciativa privada que alcancei o sucesso, como já escrevi no primeiro artigo, ?Angústia?. Mas vejam que linda a história de Abner, um professor de Filosofia que possui todo o sucesso e respeito, mas decide se isolar do mundo após a morte de Flora, sua esposa. Diferente de Alfredo, um estudante de Filosofia que sonha com as glórias da vida acadêmica, obcecado pela fama e pelo sucesso, não consegue compreender por que Clara, a mulher da sua vida, o trocou por um simples florista. A experiência do velho professor passa a guiar o crescimento interior do seu aluno e, com isso, ele consegue, por meio do aprendizado, atingir sabedoria suficiente para curar a perda de sua amada. Vê-se que a experiência é fundamental para entendermos questões que intrigam a todos nós: amor, perda, felicidade, sucesso profissional e vaidades. Trago esses exemplos para mostrar que a fama, o sucesso profissional, as vaidades, o poder, o ter, nada disso é mais importante do que a família, o amor, a felicidade, o ser; ou seja, a paz consigo mesmo e com os seus. Traduzindo: apesar da necessidade de olharmos sempre para a floresta, de quando em vez é preciso cuidar da nossa árvore. Encerro esse texto levando a vocês uma citação do padre e escritor Fábio de Melo: ?O meu olhar alcança o longe. Contempla o território que me separa da concretização do meu desejo. O destino final que o meu olhar já reconhece como recompensa, aos pés se oferece como lonjura a ser vencida. Mas não há pressa que seja capaz de diminuir esta distância. Estamos sob a prevalência de uma imposição existencial, regra que ensina que, entre o ser real e o ser desejado, há o senhorio inevitável do Tempo de Esperas?. » LUIZ OTAVIO GOMES ? secretário de Estado.