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Desemprego: um fantasma globalizado

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Não é onda, nem marola: estudos apontam para uma iminente recessão de empregos como produto da crise global. Esse aperto, segundo os pesquisadores da OIT (Organização Internacional do Trabalho), deverá tumultuar ainda mais os já agitados países desenvolvidos. Os estudiosos da OIT avaliam que ?levará pelo menos cinco anos para que o desemprego seja reduzido aos números de antes da crise e que, em 45 dos 118 países pesquisados, o risco de turbulências sociais vem aumentando?. Em seu relatório World of Work Report 2011, a Organização Internacional do Trabalho afirma que ?a estagnação da recuperação econômica já começou a ter um efeito dramático em certos mercados de trabalho?. Esse tipo de dificuldade costuma ser ?engolida? com menos tumulto nos países fora do círculo dos ?desenvolvidos?, certamente pelo prolongado sofrimento econômico dessas nações menos ricas. No primeiro mundo, porém, os arrochos sociais e os resultados são mais trágicos que no resto do mundo. Mormente, em áreas da Europa profunda, essas dificuldades refletem em retrocessos políticos. O apoio popular ao nazismo é um exemplo que não pode ser esquecido. No dias em curso, as primeiras vítimas da pressão do desemprego no Primeiro Mundo são os migrantes. Têm crescido os sinais de intolerância em países como França, Espanha, Portugal e outras nações antes tidas como acolhedoras. Trabalhadores brasileiros no exterior não estão livres dos possíveis efeitos dessa onda que se anuncia. E os locais, por incrível que possa parecer, podem ter suas vagas ameaçadas pela importação de trabalhadores. Pelas contas da ManpowerGroup, consultoria internacional especializada em Recursos Humanos, ?14% dos empregadores brasileiros têm buscado no exterior profissionais para preencher suas vagas?, em função da falta de capacitação de nossa força de trabalho. Fortalecer a formação da mão de obra brasileira é uma questão estratégica. No quadro que se avizinha, quer seja aqui, quer seja no exterior, quem não dispuser de formação mínima será tragado pelas contradições da economia globalizada.

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