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Opinião

Pensamentos do caminho

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O final do ano se aproxima: do ano litúrgico e do ano civil. Mais uma vez, a Liturgia nos desafia: recorda-nos que a vida passa, que nossa existência é breve e preciosa demais para ser vivida de modo leviano, em vão. É preciso viver com seriedade, é necessário fazer de nossa corrida neste mundo uma semente de eternidade! Pense bem, meu, Leitor, porque eu mesmo não consigo deixar de pensar nisso: onde ancorar a vida, onde sustentá-la, para que não se esfarele, não cais no nada, na insignificância? O que realmente importa na minha existência? O que a faz ter um sentido, ter um valor, não ser uma ilusão tola e fugaz? Seria o que eu construo? Mas, isto se acaba... E o que eu amo, as pessoas com as quais vou construindo a existência? Ah, elas são, certamente, um dom, uma graça! Mas, também elas se vão, passam; e, além do mais, elas são elas e eu sou eu: eu não posso entrar no coração delas, como elas tampouco podem penetrar no meu íntimo. E continuo só, continuo procurando, continuo a procura de onde ancorar o barco da minha vida nesse mar de fugacidade e ilusão que é a existência... Em Cristo! Sim, naquele que é o Princípio e o Fim; naquele através de quem e para quem eu existo; naquele que é o pão da minha vida, o poço que faz jorrar a água bendita que sacia todas as minhas sedes; aquele que me garante ser minha ressurreição e minha vida; que me provou amar-me tanto a ponto de dar a vida por mim. Nele a existência ganha sentido, o caminho aponta para um destino, os dias da vida têm gosto de eternidade. Assim, que para mim, viver tem sentido somente se é viver em Jesus e para Jesus, Deus que nos veio visitar. Não sei de outro sentido, de outra razão para existir e viver com toda seriedade, serenidade e responsabilidade que o ser gente nos impõe! Sinto isso, como um instinto irrefreável: a vida é solene demais, importante demais, sagrada demais para ser gasta com banalidades. Vivo e sei que vivo; vivo, gosto de viver e sei que caminho para a morte! Não posso brincar com isso: não perderei tempo, não desperdiçarei talentos, não pararei em tolices... Como dizia São João da Cruz: ?Buscando meus amores/ Irei por esses montes e ribeiras;/ Não colherei as flores,/ Não temerei as feras/ E passarei os fortes e as fronteiras...? Não me interessa colher flores: quero o jardim todo de uma existência plena! Que Deus me ajude ? e a você, leitor ? para que chegue ao Destino, para que não esqueça o Fim, para que não perca de vista o Porquê e o Para quê de tudo e da vida!

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