Opinião
A Casa Branca sob sombras
Dentre os governos em transe pelos efeitos da crise econômica em curso, os Estados Unidos começam a despertar a atenção no resto do mundo. Obviamente ninguém especula sobre ?queda de governo?, mas a preocupação é para com a redução da capacidade de governar evidenciada pela Casa Branca ao tentar materializar suas proposições mais importantes frente à crise. Depois da derrota do partido do presidente Obama nas últimas eleições para o Congresso, cujos resultados sombrearam a capacidade do Poder Executivo americano em aprovar seus projetos no Capitólio, o fracasso do grupo rotulado como ?supercomissão? acrescentou ainda mais o frisson no mercado mundial nesta semana já bastante impactada pela confirmação do resultado das eleições na Espanha. No caso espanhol, apesar dos suspiros de alívio do mercado financeiro, persiste tensões e expectativas acerca das reações da tradicional passionalidade política espanhola. Afinal, como reagirá a extensa faixa da população que se absteve de votar em protesto contra os cortes sociais do socialista Zapatero frente aos esperados esquartejamentos sociais propostos pelo PP? Os ibéricos são esquentados mesmo, brigam a valer, vertem sangue, mas ao fim e ao cabo, o mundo não muda tanto assim. Quanto aos Estados Unidos a toada é outra. Ninguém em sã consciência pode torcer pelo aprofundamento da crise de governabilidade que abala a única superpotência do mundo contemporâneo. É indiscutivelmente preocupante a incapacidade reafirmada dos Democratas e Republicanos em construírem algum tipo de acordo significativo para adaptar o Orçamento dos Estados Unidos ao tamanho exigido pela crise. Como têm dito os analistas, ?as divergências são as mesmas já manifestadas em outras negociações no Congresso: de um lado, os republicanos se recusam a aumentar impostos; de outro, os democratas não aceitam determinados cortes em programas sociais?. A novidade (e péssima) é que os persistentes impasses têm engessado a Casa Branca e provocado um enorme desgaste na autoridade política do presidente da República. É aí que mora o perigo.