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Primavera �rabe: ver�o escaldante?

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Mais protestos políticos e mortes flagelam o Egito, onde o processo democrático não deslancha malgrado todos os compromissos firmados. O que aconteceu com a ?primavera árabe?? Em verdade a ?primavera árabe? não aconteceu. Pelo menos não como alardeado por seus propagandistas e marqueteiros. O fato é que para se transformar uma sociedade é preciso bem mais que uma revolta popular. Algum rumo é necessário e a maioria das revoltas explodiu e se espalhou de forma atabalhoada. Duas tiveram sucesso. Dois ditadores, Zinedine el Abidine Ben Ali e Hosni Mubarak, caíram por conta da força das ruas incandescentes na Tunísia e no Egito, respectivamente. Os protestos no Bahrein foram sufocados pela ditadura local com ajuda dos sauditas e o silêncio da mídia primaveril, enquanto o massacre dos revoltosos na Síria só agora une as mais expressivas lideranças internacionais contra o regime de Bashar al Assad. E na Líbia, o tresloucado Muamar só foi apeado do poder (e barbaramente assassinado) exclusivamente por conta da intervenção militar direta, e pesada, da OTAN. Nesses países em ebulição, porém, um traço é comum aos revoltosos: não têm lideranças que possam ser reconhecidas como tal. Apenas a Tunísia as coisas pós-levante parecem mais em ordem. Na Líbia pós-Gaddafi, ninguém sabe o que é o que, quem é quem. Na Síria o sangue segue a correr, do Bahrein ninguém quer saber. E no Egito o pau está cantando novamente. Um dos países mais estratégicos na explosiva região rotulada como Oriente Médio, o Egito continua carente de políticas claras e de líderes reconhecidos por seu próprio povo. As potências ocidentais até que tentaram plantar ?lideranças confiáveis instantâneas? como Mohamed El Baradei, egípcio estranho aos egípcios, que, apesar de descido de paraquedas no canteiro a Praça Tahrir, não brotou. E a ?primavera? nas cercanias do Nilo é verão escaldante, fervendo numa confusão faraônica. Oxalá, nos dias adiante, as coisas possam tomar um caminho de verdadeira mudança no Egito e nos demais países em ebulição.

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