Opinião
ESQUECER E SER ESQUECIDO
Relatos e denúncias de pais que esquecem filhos dentro do carro, já viraram rotina. A última ocorreu no início do mês em São Paulo, onde uma mãe esqueceu seu filho no interior do carro e foi fazer compras, preocupada com o veículo, pediu à um flanelinha tomar conta do veículo. A acusação a qual esta mãe terá de responder por abandono de incapaz, e possivelmente perder até a guarda do filho, é uma realidade cada vez mais comum em nossa sociedade, onde se esquece do que realmente tem valor e se multiplicam preocupações que do ponto de vista da vida, não tem grande valor. A Bíblia pergunta: ?Será que uma mãe pode esquecer o seu bebê? (...) Mesmo que isso acontecesse, eu nunca esqueceria vocês? (Isaías 49.15). Pois este ?será? já é uma realidade. Vivemos o tempo do relógio sem ponteiros, que não faz barulho e nem nos damos conta que as horas passam, o tempo passa, que nos sobrecarregamos de informações e estamos rodeados de tanta gente virtual, queremos em pouco tempo resolver tudo e não conseguimos nada. Amanhã é o dia mundial de Ação de Graças e, embora possamos esquecer o que é verdadeiramente valioso na vida, e consequentemente tendo motivos para agradecer, jamais seremos esquecidos ou abandonados por Deus. No próximo domingo a igreja cristã inicia um novo tempo, um novo ano eclesiástico, o Advento, dias que preparam para o Natal. Deveria ser um período mais tranquilo, no entanto, é a época mais conturbada do ano. E lá no meio da muvuca está o bebê na manjedoura, esquecido no meio de gente apressada nas calçadas de vitrines decoradas, escondido atrás de ?vidros escuros? dos enfeites natalinos, do papai-noel, das compras e das festas. E ele morre, pois ?as preocupações deste mundo sufocam a mensagem? (Mateus 13.22). Mas a gente só esquece o que tem. Uma mulher não pode esquecer um bebê que não tem. Se Deus está sendo deixado de lado, é porque nós temos um Deus (Salmo 106.21). E mesmo quando somos tentados a acreditar que Ele se esqueceu de nós, ou de pensar que a história do Natal é uma fábula, que a Salvação depende do esforço de cada um, mesmo assim, Ele permanece lá em cima e continua aqui em baixo. E quando esquecemos os filhos ? e os ?matamos? com coisas que os sufocam e que lhes negam a respiração da alma ? a promessa fica: ?Eu nunca esquecerei vocês?. É o Salvador do Advento. » MARLON HÜTHER ANTUNES ? pastor da Igreja Evangélica Luterana do Brasil em Maceió.