Opinião
RAZ�ES DE ESTADO
A crise mundial do capitalismo vai se agravando a cada dia que passa e os seus efeitos se fazem sentir nos planos econômico e político, principalmente nos Estados Unidos e na Europa. Nessas regiões centrais do sistema, o desemprego tem se alastrado em decorrência da paralisia econômica, dos claros indicadores de recessão generalizada e pelas políticas de ajustes fiscais neoliberais que massacram os trabalhadores. Outro lado da realidade mundial tem sido a emergência de novos personagens na geopolítica global, tanto no plano econômico quanto no político, por meio dos Brics ? Brasil, Rússia, Índia, China e, mais recentemente, a África do Sul. O Brasil, como um desses atores principais da nova realidade multipolar internacional, tem a seu favor a dimensão continental, suas reservas minerais, a diversificada e renovável matriz energética. Incluindo as terras agricultáveis, com reais possibilidades de vir a ser o celeiro do mundo, além da condição de ser um Estado nacional, uma só nação, uma só língua e um povo sem divisões étnicas, como afirmou Renato Rabelo em palestra em Maceió. Mas o País não pode ficar alheio ao cenário mundial de agressões militares e ameaças de intervenções dos EUA, que se utiliza de sua poderosa máquina belicista e da indústria multimidiática global para tentar manter, a todo custo, uma hegemonia ameaçada pelo seu declínio econômico. Os Estados Unidos têm promovido, às claras, uma guerra ideológica e cultural por intermédio da sua mídia global e a nacional hegemônica, contra o desenvolvimento nacional, a unidade dos trabalhadores, do povo brasileiro, tendo em vista sua fragmentação, por meio de uma variada agenda multiculturalista. A marca atual mais evidente tem sido a campanha bilionária contra a construção da hidrelétrica de Belo Monte fomentada por essa mídia hegemônica internacional e as congêneres nativas. Evidencia-se, por outro lado, uma óbvia estratégia de desestabilização do País, utilizando-se de uma sistemática fabricação de crises institucionais contra o governo Dilma. Mas o Brasil tem descuidado da própria defesa, com o sucateamento das suas forças armadas, como reconhece um relatório do governo federal publicado recentemente. E, nesses tempos de agressões terríveis contra os povos, quem desejar mesmo lutar pela democracia, a soberania nacional e a paz deve se preparar para defendê-las de verdade. » EDUARDO BOMFIM ? advogado.