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Opinião

O PASTEL�O E A LEI DE MURPHY

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?Desculpe se eu fui agressivo. Eu te amo?, disse o ministro Lupi na Comissão de Fiscalização Financeira e Controle da Câmara dos Deputados, referindo-se à presidente Dilma. Estávamos diante de uma cena de filme pastelão, só que de extremo mau gosto. Deus do céu, realmente fica difícil não sentir dó da presidente Dilma nestas horas... Após a bravata de que só sairia do Ministério do Trabalho à bala e tantas outras, assistimos a um ministro de Estado desfilar seu pedido de desculpa como um autêntico bufão! O episódio reflete a necessidade de serem estabelecidos critérios mínimos de postura, caráter e dignidade quando da escolha de ministros de Estado. Nós, brasileiros, que os sustentamos por meio dos impostos que pagamos, não merecemos presenciar cenas como o depoimento do senhor Lupi na Câmara dos Deputados e no Senado! Somos hoje a sétima economia do mundo, maior do que a Itália e, segundo todas as projeções, em breve maiores que a Inglaterra, nos tornando a sexta maior economia do mundo. Precisamos nos fazer respeitar no cenário internacional não apenas por isso, mas muito além disso. Precisamos de mais eficiência, qualidade e menos escândalos. Lembro agora de um caso de corrupção ocorrido em um pequeno Estado americano, em que o secretário envolvido com uma propina de dez mil dólares, sim, apenas dez mil, cometeu suicídio em frente às câmeras de televisão, envergonhado por seu ato. Não quero dizer, com isso, que os acusados de corrupção ou os corruptos devam se suicidar; longe de mim, pois os desejo na cadeia, que é lugar de ladrão. Mas também não desejo para o meu País a imagem de um homem de idade, ministro de Estado, cantando bravatas para, logo a seguir, com receio de ser demitido de um cargo que sabe passageiro, tecer juras de amor em público num autêntico escárnio para consigo mesmo e para com a Nação. Entra em cena a Lei de Murphy, que afirma que ?se alguma coisa pode dar errado, dará. E mais, dará errado da pior maneira, no pior momento e de modo que cause o maior dano possível?. O ministro havia negado conhecer Adair Meira, diretor de uma ONG com contratos de cerca de R$ 14 milhões com sua pasta. Logo se descobre que ele não só utilizou avião indicado pelo ?desconhecido? Adair para viagens em municípios do Maranhão, como até já havia jantado na casa dele. É... Positivamente, o ministro desconhecia o aviso de Sócrates de que ?aquilo que não puderes controlar, não ordenes?. » MAURÍCIO PITTA ? promotor de Justiça e professor da Ufal.

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