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Os infantes e suas maleitas probat�rias

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Segue preocupante as tribulações na Zona do Euro e não são perceptíveis sinais de que as tremuras na moeda comum europeia venham a cessar a curto prazo. Infelizmente, os abalos sísmicos a fissurar a imagem do euro demonstram a profundidade das disparidades econômicas entre os países europeus, reafirmando a multiplicidade e incompatibilidades entre os integrantes da verdadeira colcha de retalhos nacionais que historicamente forma o chamado Velho Mundo. Medidas de emergência darão efeitos positivos para a exigida estabilidade monetária, isto é certo. Mas as contradições econômicas e sociais não sumirão de repente. Impossível é colocar um sinal de igualdade entre as economias alemã e grega, portuguesa e francesa, espanhola e italiana ou quaisquer outras combinações nessa área plurinacional e milenarmente problemática. Mas a tentativa de aproximar as bases econômicas da região e estabelecer uma moeda unificadora para o Velho Mundo é uma estratégia correta e ousada, apesar de execução difícil e lenta. Quanto mais moedas fortes tiver o mundo menor será a capacidade de exploração de um único centro econômico/financeiro. A quantos beneficia a existência de uma única moeda como referência global? Apenas a quem cunhá-la, lógico. Muitas moedas poderosas num mundo com as características de nosso tempo não é coisa fácil de se entender, mas ter-se mais de uma opção numismática real é um passo adiante no estabelecimento de um cenário mais democrático para as relações econômicas entre todos os países. Ainda muito jovem, o Euro treme. Talvez seja uma daquelas sezões que antigamente marcavam a infância, numa espécie de rito de passagem biológica indispensável para a criação de anticorpos. Num passado nem tão remoto os pais aguardavam, tensos e ansiosos, manifestações de moléstias como a catapora e o sarampo. Lutavam para que seus filhos vencessem essas provas da natureza, e delas viessem a emergir imunes à novas manifestações de maleitas semelhantes. Quem aposta na democracia econômica torce para que o euro vença também essa prova, sobreviva e se fortaleça.

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