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Opinião

SOLID�RIO NO C�NCER

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Nos meus 35 anos de oncologia tenho visto de tudo.Geralmente, os pacientes acometidos por câncer ficam muito abatidos emocionalmente. Além dos tratamentos, precisam de muito apoio. Poucos, todavia, superam-se e vão além: auxiliam os outros companheiros de jornada. Exemplo recente: JPH, militar de 46 anos, sediado em Santana do Ipanema, foi acometido por um câncer de parótida. Após submeter-se a uma cirurgia, JBS veio fazer radioterapia. Descreveu assim a sua experiência: ?Passei a viver uma realidade diferente. Fiquei mais calmo depois que soube que as aplicações de radioterapia não doíam. Passei pela primeira sessão e não senti nenhuma reação.? ? No dia seguinte, cheguei e fui logo me familiarizando com todos que ali estavam, pude perceber que ali éramos todos portadores de uma só doença, o câncer e que existiam diversas histórias? ? Eu um homem acostumado a grandes desafios na vida, convivia constantemente com o perigo como policial militar, naquele momento me sentia como se fosse uma criança desamparada, sem os pais, por mais que tentasse ser forte diante de meus familiares e amigos, tentando tranquilizá-los, sentia meu peito sangrar e aquele inimigo eu tinha que enfrentar e seu poder de destruição era terrível? ?Mas a amizade que consegui fazer ali era tão boa que transformamos o local em um centro de terapia do riso, onde todos tínhamos uma piada para contar, pois todos ali pareciam uma família, onde os mais novos se preocupavam com os mais velhos. Durante todo o tratamento pude ter lições de vida, pois naquele lugar pude ver as pessoas tratarem o próximo com respeito e fraternidade porque ao frequentar aquele setor todos são iguais sem discriminação.? ?Após o término do tratamento, quando recebi alta, foi como se o sol brilhasse em plena noite sem lua. Saiu de minhas costas um peso incalculável. Estava começando uma nova vida?. Otto Lara Resende, dizia que o mineiro só era solidário no câncer, mas referia-se aos que saudáveis, viam da janela os outros sucumbirem pela enfermidade. JPH com a sua inestimável contribuição à elevação do astral coletivo dos demais pacientes em tratamento, ajudou muitos companheiros a enfrentá-lo e concretizá-lo. É um homem altruísta e corajoso. E o melhor: JPH, terminada a radioterapia, já fez sua revisão, está clinicamente bem e vai voltar a patrulhar as ruas de sua cidade, que pode confiar nele. » MARCOS DAVI MELO ? médico.

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