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Opinião

Mais lenha na fogueira da desesperan�a

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Em mais uma consequência direta da falta de rumo da ?revolução? egípcia, a fragilizada economia do país sofre prejuízos crescentes em sua principal fonte de captação de recursos, o turismo. Na modernidade, o país que já viveu a opulência faraônica sofre de uma renitente falta de alternativas econômicas. Deserdado do petróleo que faz jorrar dinheiro em parte de seus vizinhos, o Egito luta, há séculos, para recuperar alguns grãos da riqueza do passado distante. Alguns desses grãos de riqueza são extraídos, há muito tempo, das lembranças físicas dos faraós. O que restou dos monumentos extraordinários e da magnífica cultura do grande império do Nilo é, mesmo desde antes do turismo ser reconhecido como atividade econômica importante, viajantes de todo o mundo incluíam-no no rol dos destinos mais cobiçados. O foco turístico sobre o Egito começou a ganhar ares de indústria ainda no século 19. O próprio Imperador do Brasil, Pedro II, fez questão de, acompanhado por numerosa comitiva, passear pelos sítios históricos onde os faraós desfilavam e viviam. No século 20 essa atividade só fez crescer e se consolidar, apesar dos confrontos bélicos que marcaram a região depois de 1948. Nada de novo nasceu, porém, depois desses últimos nove meses que marcaram as agitações populares responsáveis pela derribada de Hosni Mubarak. A velha crise econômica só piorou, em grande parte por conta da interrupção do movimento turístico no Egito. Quem se arrisca a vistar um país desgovernado? Mesmo quem ama ver as massas ganhando as ruas, prefere enxergar a azáfama de longe, evitando a possibilidade de estar presente num dos muitos e recorrente momentos de violência insana que têm sacudido as praças das principais cidades daquele país. Sem turistas, a principal atividade econômica feneceu, deixou de fazer dinheiro, passou a multiplicar a pobreza e a desesperança. E, o que é pior, como o regime ditatorial não mudou com a mudança do ocupante da cadeira presidencial, as ruas prometem continuar campos de combate. Sem ordem, sem progresso, sem turistas, a ?primavera árabe? é rigoroso inverno no outrora caloroso Egito dos faraós.

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