Opinião
Roda pi�o, bambeia pi�o...
Desde ontem, rodopiam os debates sobre o meio ambiente em Durban, na África do Sul, na Conferência anual da ONU sobre mudança climática. Os mais recentes eventos dessa pauta deram pouco resultado, quando não deixaram evidente um quadro de recuos sobre os acertos globais para a redução das emissões de gás carbônico. Sobre a Conferência 2011, o pessimismo é a tônica em praticamente a totalidade das análises dos especialistas. A cada dia fica mais difícil a definição das bases para um acordo viável entre os complexos e crescentemente contraditórios interesses dos países que se propõem a discutir a questão. Qualquer observador atento poderá notar que a ânsia pelo desenvolvimento gera tensões específicas e propostas muito distintas para o enfrentamento do quadro de mudanças climáticas. Até a reunião anterior, era relativamente simples a percepção de uma linha divisória entre os defensores da redução e seus opositores. Tradicionalmente, o lado dos redutores é formado pelos países mais pobres e pela União Europeia; do outro lado, posicionam-se potências como os Estados Unidos e o Japão. O forte movimento ascendente de países como os Brics (Brasil, Rússia, Índia, China e África do Sul) tende a modificar essa divisão simplista. Aos interesses, antes isolados, dos Estados Unidos e do Japão, deverão se somar os objetivos desenvolvimentistas dos Brics (não de forma unânime, num primeiro momento), pois fica evidente que, enquanto esse debate escorrega e rodopia sem sair do canto, essas ?velhas? potências se distanciam dos possíveis concorrentes e acumulam forças significativas no campo, digamos assim, da ?geopolítica industrial?. Aos novos, que ascendem nesse momento tão conturbado, não restarão muitas opções para seguir como porta-bandeiras do verde. E a Rússia, que já foi superpotência, emite sinais de que não permanecerá muito tempo como ?boa moça?, observando sua rival dela se distanciar ainda mais. Um pouco mais de pragmatismo é exigido dos negociadores em Durban. Ou essas conferências seguirão rodopiando feito pião que não sai do lugar.