Opinião
A ARTE E A POESIA DE SOLANGE CHALITA
Conheço Solange desde menina. Sempre foi tranquila, doce, inteligente e inflexível quando se trata de conquistar seus objetivos. Formada em Letras, foi buscar mais conhecimentos na Sorbonne de Paris, onde a intelectualidade é levada aos paramos da divindade. Depois, completou seu diploma, fazendo mestrado e defendendo tese, numa excelente apresentação. Entre outros títulos, ultimamente recebeu a Comenda Deodoro da Fonseca e a Comenda do Mérito Cultural da República. Como veem, que grande responsabilidade a minha em dar opinião sobre a obra pictórica e poética da brilhante amiga. Mas é com muito orgulho que o faço, como uma homenagem carinhosa e muito justa, a essa confreira que tanto admiro. Em 1978, Solange, não resistindo à sua atração pela arte pictórica, foi aprimorá-la na escola ao ar livre mantida, com sucesso, pelo memorável Pierre Chalita. Iniciou com o desenho, mas, na realidade, eram as cores que a atraíam. Pintou paisagens, figuras, naturezas mortas que tiveram sucesso, mas seu talento criativo queria mais, algo diferente, livre, que falasse do seu eu interior. Preferia as cores às formas. Partiu, então, para fazer abstrações informais, lidando com cores livremente, jogando-as de acordo com as suas emoções, mas sem esquecer jamais o ritmo e o equilíbrio dos tons usados. Sempre na tentativa de sugerir que o mundo pertence ao homem; que as pendências devem ser respeitadas e as diferenças sociais abolidas. Seus quadros foram muito bem aceitos e hoje ornamentam vários ambientes em Alagoas e em outros lugares. Há pouco, nos ofereceu uma vasta exposição que alcançou grande sucesso. Em 1968, surpreendeu a sociedade literária alagoana com a sua poesia, em que canta o amor em várias formas e dimensões, sem esquecer, jamais, o lirismo, o amor entre seres, o amor prazer, o amor plenitude, o amor na saudade, o amor idealizado, o amor fraterno. Seus versos são escritos num estilo livre, contemporâneo, mas são plenos de sensibilidade. Todos eles são portadores daquela sonoridade que penetra em nosso espírito e nos embevece. Escreveu seis livros. O último, Canto Efêmero, lançado na 5ª Bienal do Livro de Alagoas, foi o que mais me encantou. Transcendeu todos os outros em sensibilidade. Talvez porque saísse de um coração sofrido pela saudade de um amor vivido. Não tem rimas nem pontuações. É forte na memória afetiva, impregnado de musicalidade, principalmente quando traduz o amor em sua essência e seu cantar diante da vida e da lembrança. Muitas vezes, ela dialoga com outros poetas, como Jorge de Lima, Cecília Meireles, Manuel Bandeira, Proust, Saint-Exupéry e outros ? o que demonstra sua intimidade com a literatura mundial. » LYSETTE LYRA ? escritora e membro da AAL.