Opinião
O COM�RCIO DA F�
» ALOÍSIO ALVES - é publicitário, sócio efetivo da APALCA. A gente vê e ouve com tristeza o que se passa no rádio e TV nos últimos tempos. Vamos chamar de comércio da fé. O nome de Jesus se transformou num produto, explorado como marketing de uma marca qualquer. A quantidade de igrejas espalhadas pelo País, a força da comunicação através das mídias eletrônicas, principalmente, faz das novas religiões muito poderosas pela facilidade de interação com o seu público-alvo. Mas, ao mesmo tempo, os cultos em muitos desses templos se transformaram num comércio que mexem com o sentimento de pessoas, em geral, desprovidas de qualquer sensibilidade, ignorantes na sua formação, muitas delas sofridas, tão desesperadas que ficam devotas de qualquer falso profeta que lhes promete o reino do céu em troca de qualquer preço. Inclusive o preço que não podem pagar. E aquele toque de espiritualidade, de amor, a voz evangelizadora, pacificadora? Não! O que ocorre sob o teto dos templos, nas madrugadas pelas emissoras de rádio e TV são gritos histéricos, encenação de milagres em série; aleijados que jogam suas muletas levantam e saem caminhando sob os aplausos da plateia; mudos que ao toque de mãos começam a falar como papagaios; doenças graves como câncer, cegueira, tuberculose, surdez, paralisias são curadas num simples piscar de olhos. Estrategicamente o marketing dessas igrejas é bem planejado. No rádio e TV buscam os seus seguidores mais angustiados no silêncio das madrugadas, gente que tem dificuldade de dormir, endividadas, vítimas de familiares entregues ao vício como álcool e outras drogas pesadas. Gente facilmente vulnerável a assimilar o apelo dos bispos, pastores e até os que se autodenominam de apóstolos. No Brasil em cada esquina e em cada rua tem uma dessas igrejas. Uma dessas igrejas divulga junto aos seus seguidores a comprarem por R$ 153,00 a meia usada pelo pastor numa caminhada ?santa?. Afirmam ser uma peça milagrosa que proverá bênçãos divinas, cura doenças, vícios e atrai dinheiro. A famosa toalhinha pagadora de dívidas, bastando para isso tocá-la na porta do banco e no dia seguinte todas as dívidas do infortuno devedor estarão quitadas. Quem pagou? O milagre de Jesus. O sabonete da terapia do amor, o óleo ungindo de Israel, a fogueira santa, sal grosso. Vales-transportes, refeição, anéis, relógios, dentadura de ouro... Vale tudo para os líderes dessas igrejas ficarem milionários, enquanto o povo em sua santa ignorância se despe para doar o que não tem.