Opinião
MARCOS DAVI MELO
Afinal, Calabar, o sujeito que colaborou com os holandeses, natural das bandas de Porto Calvo, foi um traidor da pátria ou um visionário, que enxergou longe, muito mais e além de seus contemporâneos? E os holandeses, que durante sua ocupação trouxeram para Alagoas ? quando ainda colônia pernambucana ? cientistas, artistas e outras elites culturais, caso aqui ficassem, poderiam ter mudado nosso destino? Dúvidas semelhantes têm perseguido luminares do pensamento universal através dos tempos. Alerta-nos Anatole France: ?Existe uma história imparcial? E que é a história? A representação escrita dos acontecimentos passados. Mas que é o acontecimento? É um fato qualquer? Não! É um fato notável. Pois bem, como é que o historiador decide se um fato é notável ou não? Decide-o arbitrariamente, segundo seu gosto e seu caráter, segundo sua ideia, como um artista, enfim, pois os fatos não se dividem por sua própria natureza em históricos e não históricos?. Uma grande, provocadora e inestimável contribuição à história, e em particular à história de Alagoas, foi entregue esta semana com a publicação de A presença Holandesa ? A história da guerra do açúcar vista por Alagoas, dos eminentes imortais Douglas Apratto Tenório e Carmen Lúcia Dantas. Após três anos de intensa pesquisa, os notáveis escritores concluíram esta obra, já clássica ao nascer, que, certamente, pelo seu conteúdo, inquestionável equilíbrio e também pelo peso de suas consubstanciadas vivências pessoais, poderá nos ajudar a melhor discernir estas e outras questões primordiais de nossa identidade histórica. Até porque, segundo Gregório Maranon: ?A história julga só os resultados, e não os propósitos? . E fazendo história também da melhor qualidade em Alagoas tivemos, esta semana, a posse de Milton Hênio no Conselho Estratégico das Organizações Arnon de Mello. Uma realidade concreta que contraria a tese de que toda unanimidade é burra, Milton Hênio é uma unanimidade: é a encarnação do ser humano bom, carinhoso e solidário. Justamente nas comemorações dos 100 anos de seu patrono, Arnon de Mello, as organizações que têm o seu nome dão um presente memorável aos alagoanos, agregando este grande médico, humanista e também imortal à sua instância diretiva superior. Assim se faz história: com justiça plena e apoiada por tamanho respaldo que jamais será questionada. » MARCOS DAVI MELO ? médico.