Opinião
O EXERC�CIO DA HEGEMONIA
» EDUARDO BOMFIM ? advogado. O historiador Eric Hobsbawm, em recente ensaio sobre o pensamento do revolucionário e intelectual italiano Antonio Gramsci, morto em 1937, vítima do regime fascista de Mussolini, apresenta-nos a versão sobre o conceito de Estado e hegemonia desse grande pensador marxista. Segundo ele, Gramsci considerava o Estado como um amálgama entre instituições coercitivas e hegemônicas e que uma classe dominante não conta somente com o Poder coercitivo e a autoridade, mas com o consentimento que deriva da liderança intelectual e moral. Porque, para se tornar hegemônica, uma classe deve transcender a organização econômico-corporativa. De tudo isso, podemos extrair lições da atual crise capitalista mundial e a hegemonia do capital financeiro global por meio das legiões armadas dos Estados Unidos, o onipresente império da época contemporânea, cujo domínio, imposto e muito assimilado, surgiu de fatores determinantes onde se destaca o aparato ideológico-cultural, difundido por um poderoso complexo multimidiático de abrangência planetária. Outro dos mais importantes recursos para a atual dominação imperial em escala jamais conquistada por algum império na história da humanidade tem sido a chamada ?governança global?, que se efetivou por meio de um conceito especial a Gramsci, a edificação do ?consenso?. São leis e valores infligidos às nações, aos povos, pela ?nova ordem mundial? de tal forma que eles parecem naturais e comuns aos indivíduos, às sociedades. Isso fez com que o processo de maximização do lucro e a minimização dos custos globais do capital tenham se realizado. A profunda dependência econômica das Nações Unidas, e dos seus vários organismos internacionais, aos recursos financeiros dos Estados Unidos facilitou em muito a consecução dessa almejada ?governança global?. E não é por outra razão que o ex-chanceler do governo Lula, Celso Amorim, declarou que é fundamental a reestruturação da ONU sob novas bases condizentes com a emergência de novos atores de uma realidade geopolítica mundial em intensa transição. Já no Brasil, o papel da coerção, hegemonia e os ?consensos? estabelecidos pela elites monopolistas externas e internas tem conflitado, nos últimos dez anos, com o poder institucional. Daí a intensa pressão da ?nova ordem mundial? sobre os dois últimos presidentes eleitos pelo voto secreto, popular, e os seus respectivos governos.