Opinião
Riscos mortais dos ve�culos sucateados
Terrível acontecimento, o acidente que ceifou a vida de 11 pessoas na cidade de Feira Grande ainda provoca perplexidade e interrogações. As interrogações ficam por conta das causas da tragédia, cujas respostas esperam o término dos trabalhos da perícia. Mas as evidências, colhidas e retransmitidas pelas muitas testemunhas do sinistro, apontam para alguma falha grave no sistema de frenagem do veículo. O condutor, que também perdeu a vida no acidente, teria feito de tudo para parar a caçamba, mas ? desgraçadamente ? não logrou êxito. Enquanto os peritos debruçam-se sobre o que sobrou do veículo sinistrado, algumas reflexões são impossíveis de deter. A principal delas nos leva a raciocinar sobre algo que enxergamos cotidianamente,em todas as avenidas, ruas ou vielas alagoanas: veículos aparentemente sem condições de conservação a transitar livremente. Evidente que a aparência não é tudo, nem mesmo é o principal. Um automóvel pode estar aparentemente caindo aos pedaços, mas, ao ser vistoriado, pode contar com todos os seus acessórios em dia. Por outro lado, um carro aparentemente zero quilômetro pode estar desprovido de seus equipamentos básicos de segurança. Mas, indubitavelmente, são os calhambeques que correm mais riscos de não se enquadrar nas contemporâneas regras de segurança no trânsito. Faz-se indispensável que as vistorias sejam mais rigorosas. Os equipamentos de segurança precisam de conferência rigorosíssima, especialmente naqueles veículos que tenham maior potencial de sinistros, como coletivos, caminhões e caçambas. O rigor salva vidas. O ?jeitinho? que faz vistas grossas a irregularidades desse tipo pode ser até embasado numa preocupação social, onde se busca (equivocadamente) garantir ?o pão? de trabalhadores (muitas vezes autônomos) que não têm condições de manter seus instrumentos de labor em dia com a legislação. Isto é, em muitos casos, expressão de boas intenções; mas a verdade, inexorável, é que essa meritória atenção converte-se numa ação mortal e, por que não dizer, criminosa. Enfim, são meras reflexões. Quiçá improcedentes, mas que requerem respostas.