loading-icon
MIX 98.3
NO AR | MACEIÓ

Mix FM

98.3
quarta-feira, 05/08/2026 | Ano | Nº 6282
Maceió, AL
25° Tempo
Logo Gazeta de Alagoas Logo Gazeta de Alagoas
Home > Opinião

Opinião

POR TODOS OS S�CULOS

Ouvir
Compartilhar

» JOSÉ MAURÍCIO BRÊDA ? bacharel em Economia ([email protected]). Esta sequência de demissões ministrais, não provocadas pelas vias que de obrigação seriam, ou seja, do poder central e daqueles a quem é dado o dever da vigília ao erário, e sim pela imprensa investigativa, vem-nos trazendo desalento e descrédito de quem esperávamos ética, honradez e justiça. Em suma, o cumprimento de seus deveres enquanto representantes do povo. Pe. Antonio Vieira (Lisboa,1608-Bahia,1697) mostra-nos que tal procedimento é endêmico, no seu Sermão do Bom Ladrão, proferido em 1655 em Lisboa, quando demonstrou seu conhecimento sobre os problemas do aquém e do além-mar, perante o rei d. João IV, ministros, juízes e conselheiros. Foi incisivo na crítica aos que usavam a máquina pública para o enriquecimento ilícito. Citando informações de S. Francisco Xavier, a pedido de d. João III, diz: ?O que eu posso acrescentar, pela experiência que tenho, é que não só do Cabo da Boa Esperança para lá, mas também das partes daquém, se usa igualmente a mesma conjugação. Conjugam por todos os modos o verbo rapio, não falando em outros novos e esquisitos (...). Tanto que lá chegam, começam a furtar pelo modo indicativo, porque a primeira informação que pedem aos práticos é que lhes apontem e mostrem os caminhos por onde podem abarcar tudo. Pelo modo imperativo, porque, como têm o misto e mero império, todos eles aplicam despoticamente às execuções da rapina. Furtam pelo modo mandativo, porque aceitam quanto lhes mandam (...). Pelo modo optativo, porque desejam quanto lhes parece bem e, gabando as coisas desejadas aos donos delas, por cortesia, sem vontade, as fazem suas. Furtam pelo modo conjuntivo, porque ajuntam o seu pouco cabedal, com o daqueles que manejam muito; e basta só que ajuntem sua graça, para serem meeiros na ganância. Pelo modo permissivo, porque permitem que os outros furtem. Furtam pelo modo infinitivo, porque não tem fim o furtar com o fim do governo, e sempre lá deixam raízes, em que vão continuando os furtos. Furtam juntamente por todos os tempos, porque o presente ? que é o seu tempo ? colhem quanto dá de si o triênio; e do futuro empenham as rendas e antecipam os contratos, com que tudo o caído e não caído lhes vem cair nas mãos. Finalmente porque furtam, furtavam, furtaram, furtariam e haveriam de furtar mais, se mais houvesse?. E, como estamos vendo, as palavras de Vieira reverberam por todos os séculos e séculos, amém.

Relacionadas