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Desuni�o sobre o efeito estufa

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Segundo a mídia especializada, deve-se à delegação brasileira o acordo que possibilitou a aprovação de um documento comum como resultado da Conferência da ONU sobre o clima, a notória COP-17. O pau estava quebrando entre as expressões ?resultado legal? e ?instrumento legal?, e um diplomata brasileiro, mineiramente, produziu a salomônica ?instrumento com força legal?. E o documento foi aprovado nos estertores da prorrogação dos cansativos e improdutivos debates da COP-17 em Durban (África do Sul). O busílis da discórdia está na definição das metas para a redução da emissão dos gases causadores do famigerado efeito estufa, cujo principal vilão é o gás carbônico, vulgo CO2. Desde a elaboração do Protocolo de Kyoto, as propostas de metas têm sido contestadas pelos principais poluidores, os países mais industrializados. Especialmente os Estados Unidos, que juntamente com a China ocupam a pole position dos maiores emissores dos gases responsáveis pelo efeito estufa, recusam-se a atender a esse chamamento redutor. Os países em desenvolvimento por sua vez, consideram que quem deve pisar no freio são as nações mais ricas e industrializadas, pois esses são os que mais poluem e já cresceram em demasia. Essa pendenga de proporções universais começou em 1997, na cidade japonesa de Kyoto, mas só entrou em vigor (formalmente) em 2005 quando a Rússia assinou o protocolo fazendo com que fosse alcançada a meta teórica de países que juntos fossem responsáveis por 55% das emissões dos gases provocadores do efeito estufa. Entretanto, com os Estados Unidos de fora esse documento continuou a ser apenas protocolar (em seu sentido de inocuidade). Porém, se na manhã do domingo a delegação brasileira em Durban logrou êxito na operação vernácula destinada a salvar um texto sobre este mesmo tema, na segunda-feira, o Canadá tornou-se o primeiro país signatário a abandonar o Protocolo de Kyoto, num golpe profundo contra a mais expressiva tentativa de acordo internacional para redução das supostas causas do efeito estufa. Ou seja, textos à parte, a coisa complicou.

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