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Opinião

Temores de novas guerras no mundo

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Razões sobram para o mundo ficar preocupado com a escalada de tensões e provocações entre os Estados Unidos e o Irã. As relativamente recentes invasões americanas contra o Afeganistão e o Iraque reafirmaram o poderio e a disposição guerreira da única superpotência contemporânea. Washington simplesmente arguiu o discutível direito de vingança para destroçar o governo talibã e não teve pejo de desfraldar uma falsa bandeira como justificativa para esmagar os iraquianos. Os talibãs foram a evolução natural dos mujahidins afegãos financiados e treinados intensamente pelos americanos, por meio da ?Operação Ciclone?, de 1987 a 1989, com o objetivo de fortalecer o combate aos soviéticos, que findaram derrotados. Daí a cria voltou-se contra o criador e os radicais islâmicos passaram a combater seus antigos professores. O resto dessa história todos conhecem. Por sua vez Saddam era fidelíssimo seguidor das orientações de Washington e, impulsionado pelo governo Ronald Reagan, não hesitou em lançar seu país em guerra terrível contra o Irã numa carnificina mútua que se alongou por sangrentos oito anos, de 1980 a 1988. Hussein também voltou-se contra seus mestres e foi batido em duas guerras, sendo enfim preso e enforcado inapelavelmente. O Irã pós-Revolução Islâmica de 1979 tem sido um adversário ruidoso dos Estados Unidos e suas atuais lideranças, reconhecidas do público internacional nas figuras do falante presidente Mahmoud Ahmadinejad e do sisudo Aiatolá Khamenei (que não se bicam), reafirmam disposição de confronto, rechaçando pressões externas sobre seu modo de vida, modelo político e projetos estratégicos. A cada dia se multiplicam as provocações lado a lado, sendo que o mais recente episódio envolveu a captura pelo Irã de um moderníssimo avião não-pilotado americano usado para espionagem. Ao mesmo tempo, apesar do pouco destaque na mídia internacional têm sido registadas repetidas explosões suspeitas em instalações militares iranianas. Um quadro preocupante, pois uma nova guerra no Oriente Médio não interessa a ninguém no mundo que tenha um mínimo de bom senso.

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