Opinião
Ecos da crise do euro no mundo
Despertou os instintos mais primitivos nos pessimistas o crescimento zero do PIB brasileiro no último trimestre. Uma espécie de viseira ideológica passou a direcionar certas análises pela via do derrotismo, alimentando a torcida do ?quanto pior melhor?. Mas, para se analisar corretamente qualquer quadro econômico nacional, a comparação com os cenários americano e europeu é indispensável para uma contextualização adequada. Não há como negar a influência e reflexos diretos dos efeitos negativos da renitente crise na Zona do Euro, somados às dificuldades americanas, especialmente sobre as chamadas economias ascendentes. O Brasil não teria como se excluir dessa maré baixa. Mas seria o Brasil o único afetado? Não. Uma das mais promissoras economias contemporâneas, companheira dos brasileiros no acrônimo Bric, a milenar Índia registrou, nesta mesma quadra de tempo, um recuo em sua produção industrial. Ao contrário do zero cravado pelo Brasil, a Índia assinalou, pela primeira vez desde 2009, um número negativo ao contabilizar seu crescimento industrial, amargando -5,1%. O PIB indiano, por sua vez, apesar de crescer no último trimestre, o fez com a menor taxa nos últimos dois anos. Com uma complicação adicional (e grave): a inflação segue alta, disparando para 9,7% em outubro. Cada país, naturalmente, tende a reagir de forma diferenciada a um mesmo fenômeno global. O que deve ser levado em consideração é a tendência geral. E o rumo, é claro, confirmando que as ondas de choque, marola ou tsunami alcançam todas as praias. Na necessária contraposição ao derrotismo, porém, não pode ser tomado o caminho do triunfalismo numa sublimação dos problemas e riscos reais. A gravidade da crise exige que o Brasil adote medidas apropriadas de defesa e proteção do processo de ascensão econômica. A sustentabilidade precisa ultrapassar os limites da retórica e converter-se em política efetiva, consolidada. Não há como o Brasil pular as ondas das crises mundiais. Mesmo que sejam marolas que estejam a lamber nossas pernas.