Opinião
Por que n�o a �frica?
?Por que um país africano não poderia indicar o caminho ao mundo?? é a interrogação que Bento XVI deixou em sua viagem ao Benin, a segunda que fez ao continente em menos de 3 anos. ?Por que o Papa escolheu o Benin para esta sua segunda viagem ao continente africano, para de lá lançar uma mensagem à África inteira de hoje e de amanhã?? ? perguntaram os jornalistas, no voo entre Roma e Cotonou, na manhã da sexta-feira, dia 18 de novembro. O Santo Padre deu 3 razões: primeira, por ser o Benin um país em paz, interna e externa, com instituições democráticas funcionando em espírito de liberdade e responsabilidade. Segunda, por ser um país onde se verifica uma presença de diversas religiões em convivência pacífica: cristãos, muçulmanos e as religiões tradicionais, isto é, os vários cultos das antigas etnias. E a terceira razão, Bento XVI fez questão de sublinhar: é ser o país de seu grande amigo, o Cardeal Gantin, falecido. O embaixador muçulmano na Nigéria acentuou ao arcebispo Becciu, da Secretaria de Estado: ?Lembre-se de que o Papa não vem só para vós, católicos. Vem para todos os africanos que o consideram pai: o pai de toda a humanidade?. Realismo e esperança foram as marcas dos pronunciamentos de Bento XVI nesta visita pastoral. No palácio presidencial, esclareceu: ?Nesta fase crucial para todo o continente, a igreja na África, com o seu compromisso a serviço do Evangelho, com o testemunho de solidariedade efetiva, poderá ser protagonista de renovada era de esperança?. Com ênfase, Bento XVI exclamou: ?África, terra de um novo Pentecostes, tem confiança em Deus. Animada pelo espírito de Jesus Ressuscitado, torna-te a grande família de Deus, generosa com todos os teus filhos, agentes de reconciliação, de paz e de justiça. África, Boa Nova para a Igreja, torna-te isso mesmo para o mundo inteiro!?. Na tarde do domingo, 20 de novembro, Bento XVI despediu-se do Benin e foi saudado no aeroporto pelo Presidente Boni Yayi, que ressaltou o modo como ?a visita papal permitiu constatar o fervor das igrejas e das populações da África?. Por sua vez, o Papa destacou que desejou visitar uma vez mais o continente africano, pelo qual sente afeto particular, porque está intimamente convencido de que é uma terra da esperança. ?Aqui encontram-se valores autênticos?, disse ele, ?capazes de servir de inspiração para o mundo inteiro?. E terminou seu pronunciamento, em língua do Benin: ?Deus abençoe o Benin!?.