Opinião
Apavoramento popular face ao banditismo
Fato ou boato? Uma coisa é certeza inquestionável: a população maceioense vive atemorizada, à beira de uma ataque de nervos, em função da avassaladora onda de insegurança pública onde surfam, livres, quadrilhas cada vez mais audaciosas. Boato ou fato, o mais significativo sobre o ?arrastão dominical? é que o episódio expõe a tensão e a pressão vividas pelo povo alagoano. E o grande problema é que esse estresse não é uma ?onda? psicológica. A população alagoana, em todas as camadas sociais, vive pressionada cotidianamente por ações, a cada momento mais atrevidas e perigosas, de um número sempre crescente de bandos criminosos. Irresistível, portanto, neste cenário, torna-se qualquer brado de perigo. O alerta, verdadeiro ou falso, se espalha como fogo em canavial no verão, pois as condições estão propícias. Mesmo que a hipótese do boato sobre o arrastão de domingo tenha sido aventada ainda no calor dos acontecimentos, ninguém ousou arriscar. Lojas situadas a muitos quilômetros do epicentro da bagunça julgaram mais previdente cerrar suas portas e até bares dispensaram seus clientes, convidando-os a encerrar as contas em meio a alegres farras dominicais. O porquê de tamanha fragilidade na ?psicologia da massa? é ululante: a extrema vulnerabilidade da população frente ao banditismo. A opinião pública é quase unânime em desacreditar nas condições das forças policiais de encarar o crime organizado num confronto direto; e isto é muito grave, posto ser um sentimento que torna a sociedade ainda mais vulnerável. Vive-se um apavoramento coletivo que finda por ajudar a (já enorme) desenvoltura de bandidos e delinquentes de todo tipo. Infelizmente, mede um grito a distância entre a tranquilidade e uma explosão de pânico; e essas manifestações de pânico provocam toda sorte de problemas, desde a interrupção das atividades econômicas por preciosos momentos até o grande risco de acidentes variados. À mesa das autoridades, está posta mais uma evidência de que tal insegurança pública não pode perdurar. Um bom presente de Natal seria uma mudança radical na política de enfrentamento aos bandidos.