Opinião
A ORIGEM DO MAL
A praga da corrupção está disseminada no Estado brasileiro, com seus efeitos re-percutindo na qualidade dos serviços ofertados à população. Estudos recentes do Departamento de Competitividade e Tecnologia, pertencente à Federação da Indústria de São Paulo, atestam que até 2,3% do PIB nacional são drenados por propinodutos, construídos no submundo do poder pela cumplicidade de espertalhões que, sem pudor, não distinguem o público do privado. É bem verdade que a corrupção não é exclusividade do Brasil, que ocupa a 75ª posição num ranking envolvendo 180 nações. Mas ela vem compondo, cada vez mais, a agenda de instituições defensoras da transparência e que repudiam o malfeito. Mesmo não sendo uma delinquência de natureza tupiniquim, é possível verificar indícios que refletem um viés histórico na ação dessas quadrilhas de luxo? Os arquivos da nossa história demonstram que o Banco do Brasil, fundado sete meses após o desembarque de d. João VI, arruinou-se rapidamente pelo compadrio entre a realeza e uma casta de beneficiários. O historiador Oliveira Lima destrincha fatos escabrosos do período imperial e que bem revelam a prática da ?caixinha? nas transações com dinheiro público. O pesquisador, ao rebuscar relatos do passado, concluiu que se cobrava uma espécie de ?taxa de retorno? de 17% sobre todos os pagamentos ou saques do tesouro. E se o credor não fizesse tal desembolso, o processo submergia na cafua das repartições. ?A corrupção medrava escandalosa, e tanto contribuía para aumentar as despesas como contribuía o contrabando para diminuir as rendas?, afirma Lima, em ?D. João VI no Brasil?. No Rio de Janeiro, que virou sede do reinado, a corte se dividia em seis imensas áreas administrativas. O jornalista Laurentino Gomes, em seu livro-reportagem ?1808?, explica as razões pelas quais os gestores desses setores entrariam na história como ícones de negociata e enriquecimento ilícito. ?De seus departamentos saíam a comida, o transporte, o conforto e todos os benefícios que sustentavam os milhares de dependentes da corte. Seus amigos tinham tudo. Seus inimigos, nada?, escreveu Gomes. Corrupção, enfim, se combate com educação, politização do cidadão e aumento do controle social, além de imprensa livre serviço de inteligência e aperfeiçoamento das instituições responsáveis pela fiscalização.