Opinião
Sinal verde para o etanol brasileiro
Parece presente de Natal para o Brasil: Após três décadas de renovação anual implacável, os americanos anunciam que, a partir de 31 de dezembro deste ano, relaxarão a tarifa imposta à importação de etanol, assim como deixarão expirar os subsídios concedidos ao álcool produzido nos Estados Unidos. Porém, para que esse presente se converta em realidade será necessária uma radical mudança nas práticas brasileiras de produção do etanol. Para quem já se esqueceu, a queda na recente safra obrigou o Brasil a importar o famigerado álcool de milho destilado pelos americanos. O etanol ianque, mormente extraído do milho, tem até o último dia deste ano uma senhora mãozinha da receita americana. Cada galão de álcool produzido nos Estados Unidos recebe 45 centavos por galão, ao mesmo tempo em que a aduana cobra 54 centavos por galão do etanol importado. Um senhor protecionismo estatal, logo na pátria do liberalismo (!). Se confirmadas as informações emitidas pela Casa Branca essa mamata não amanhece o 1º de janeiro de 2012. Em resumo, na atual briga de subsídios, o etanol brasileiro chega no mercado americano acrescido de nove centavos de dólar por galão. Chegava. Na próxima semana, a conta será outra. Isto posto, pergunta-se: E o Brasil está em condições de disputar esse espetacular mercado ianque, inundando-o do nosso velho e bom álcool de cana? Ou vamos desembolsar ainda mais grana para importar mais etanol de milho para suprir nossas deficiências? O desafio é enorme e não será vencido com fraseologia nem muito menos tendo como porta-bandeira a tradição brasileira nos derivados da cana-de-açúcar. A avenida que se abre, anunciada mesmo antes da divulgação desta boa nova, só poderá ser percorrida pelo etanol verde-amarelo se nosso ciclo de produção estiver inteiramente modernizado, turbinado desde a soca da cana até a ponta do processo industrial, passando pela logística interna e tudo mais que componha esse processo. Escancarou-se a porteira. Talvez não em definitivo, mas a chance está aí. Resta ter competência para ultrapassar este umbral.