Opinião
DISCURSOS BREVES
O mundo almeja palavras simples e resumidas. Para apressar a sua compreensão, alimentar a sua fé e definir caminhos verdadeiros. As atenções humanas possuem o seu tempo e a tolerância guarda limites. As pessoas rejeitam as leis obscuras, as normas complexas, as ideias repetitivas e enfadonhas. O tratadista italiano Cesare Beccaria, formulou os princípios do direito de punir, e advertira no século 18 que, a obscuridade das leis representa uma fonte permanente de injustiças. Todos desejam ser disciplinados por disposições claras, geradoras de consequências lógicas e previsíveis. As relações sentimentais mesmo sutis não apreciam mistérios, preferem o diálogo franco e direto. As divergências acentuadas cobram objetividade em suas discussões e razoabilidade em seus calorosos resultados. As despedidas devem ser breves para amenizar as dores da separação. Não se deve sofrer mais do que o necessário; para esquecer, extrair lições e prosseguir na caminhada. É necessário guardar emoções para transformá-las em sofrimentos redentores, para germinar novas motivações de viver. O constitucionalista Luiz Roberto Barroso, perante a recente Conferência Nacional dos Advogados, argumentou ser preciso aprimorar os mecanismos de funcionamento do Plenário do Supremo Tribunal Federal. Os votos orais não deveriam ser extensos, precisam zelar pela síntese das principais ideias, sem prejuízo de o voto escrito ser mais analítico. A realidade econômica não concorda com os casuísmos, com as mudanças das regras do jogo. O crescimento da economia propõe uma linguagem real, sem divagações. Os investimentos necessitam de segurança e de horizontes confiáveis. A população apenas se mostra sensível diante do discurso oficial coerente e marcado por convicção. As palavras necessitam ser medidas, em conteúdo e extensão. Destacados pronunciamentos enfrentam o olhar triste daqueles que não cultivam expressões. E, o sorriso de maldição dos que possuem dificuldades em erguer sentimentos e ideias. Ganham reconhecimento quando alcançam o espaço ideal do equilíbrio e das emoções.