Opinião
A PALAVRA MANIFESTOU-SE
Nesse dias do tempo do Natal, iniciado no último 25, uma certeza ressoa: a palavra eterna de Deus manifestou-se entre os filhos de Adão (cf. Jo 1,14; Tt 2,11). Essa palavra não é uma ideia fria, hermética, mas uma pessoa, ainda criança, reclinada no presépio. Era preciso que Deus se manifestasse. O nascimento do Salvador, unindo sua divindade à natureza humana é a certeza inequívoca de que a vocação última de homens e mulheres se cumpre; afinal, estes são chamados a participar da natureza divina, conforme diz o apóstolo são Pedro (cf. 2Pd 1,3s). Quando foi criado por Deus, o homem foi destinado a ser glorificado, cheio da vida divina. Isso significa que, além da vida biológica e psicológica, ele é vocacionado também a ter uma vida espiritual. Por isso, enquanto não realizasse esse chamado, o homem seria um ser incompleto, à procura do sentido e da finalidade da própria existência. Por isso, era preciso que a Palavra de Deus viesse habitar entre os mortais. Necessário se fazia o Deus eterno vir e apontar o caminho para a divinização, o seu Verbo eterno. E essa palavra vem com duas funções, a de informar e formar. Jesus ao se encarnar, desvenda o rosto de Deus e seu projeto de amor, informando à humanidade o mistério mantido em sigilo desde sempre (cf. Rm 16, 25s). Mas o Cristo não somente informa a glorificação como destino último do gênero humano. Ao encher o tempo com a divindade, o filho eterno de Deus vai tornando a humanidade capaz de receber a presença santificadora de Deus. Assim, no seu ministério público, Cristo vai formando o homem novo. E essa formação alcança a sua plenitude quando, por sua morte e ressurreição, Ele derramar o seu Espírito, fonte de vida nova. Essa é a razão da alegria desse tempo, pois Deus cumpriu o seu desígnio amoroso. O Natal inaugura um novo tempo: o homem é deificado, ou seja, tornado habitação do Espírito Santo. Esse novo tempo se cumpre na Páscoa. Sem a participação na vida divina, sem o influxo da graça trazida pela criança nascida em Belém, todos os desejos de bondade, paz e felicidade tendem certamente ao malogro. Por outro lado, porque Ele se fez carne, a filantropia e o altruísmo se tornam caridade; o amor converte-se em atitude concreta. Enfim, as virtudes humanas, os gestos mais simples, são manifestações da participação do ser humano na vida de Deus. Feliz tempo do Natal!