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Opinião

GENTE QUE � HIST�RIA

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Têm pessoas que passam pela nossa vida, deixando exemplos de virtude e retidão. É o caso do professor João Lemos ou padre Lemos como ainda o conheci, quando foi meu professor no Senac, no ensino básico, com aprendizagem comercial. Era, exatamente, a mesma pessoa com a mesma serenidade que hoje espelha, após 40 anos, talvez. Culto e inteligente, sempre foi um bom ouvinte a qualquer jovem que o procurava. Lembro quando me pediu para fazer um desenho para a construção de uma casa de praia. Nessa época eu estudava desenho arquitetônico e ele foi meu primeiro cliente. E mostrou-se tão incentivador que anos depois veio comentar sobre a casa que construiu. Coisa que nem eu mesmo lembrava mais. O tempo contribuiu para que fôssemos vizinhos na Avenida Antônio Cansanção, onde ainda hoje reside. Sempre tivemos uma empatia enorme pelos mesmos temas como: História, Religião e Filosofia. Seus filhos chegaram a conviver com a minha filha mais velha, Fabianne, quase da mesma idade, creio. Na época em que o Padre Cláudio Orestes era pároco da Igreja de São Pedro,ele costumava fazer as homilias. O bispo parecia ter uma certa ojeriza de ver um padre casado fazendo o sermão. Padre Cláudio Orestes cujo pensamento humanista ia muito além das picuinhas da cúria nunca cumpriu esta norma e permitia aos fiéis receberem a palavra de Deus com a virtuosidade e inspiração de quem continuava a ser um sacerdote. Era brilhante! Tinha a força empírica de quem vivia realmente uma experiência plena como ser humano no seu núcleo familiar e com Cristo Jesus na essência de suas palavras. Não foi o casamento que o impediu de continuar a ser um religioso e criar a sua família na mesma fé. Quantas vezes enxerguei o rosário pendente entre seus dedos enquanto fazia a caminhada na praia pela manhã? Nunca confidenciou qualquer mágoa da Igreja. Aceitou com humildade a sua condição de padre casado, impedido de celebrar missas ou ministrar sacramentos. Lembro quando me contou certa vez, que passando de carro com os filhos viu um homem deitado numa calçada. E, ele instintivamente ressaltou: ? É um bêbado! ? Ficando envergonhado quando seu filho pequeno acrescentou: ? É um homem! ? Antes de ser, talvez, um bêbado era um ser humano. É esse o professor Lemos que conheço. Incansavelmente consciente do seu papel como um homem de Deus, que sempre foi e sempre será. É assim que ele se torna história.

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