Opinião
NATAL LUZ MACEI�
Após assistir ao último espetáculo de Natal na Praça Multieventos, não tive como não me lembrar de um Natal Luz, de Gramado, que pude presenciar em 2006. O mesmo nível de organização, a mesma qualidade dos artistas, o mesmo cuidado nos figurinos dos grupos, o mesmo respeito ao público no que se refere aos horários da programação, cumpridos à risca, porém, superando Gramado no quesito ?assentos para toda a plateia?, realmente necessários e providenciais. Há muito tempo, Maceió não via suas mais importantes festas populares realizadas com tanta originalidade, contemplada a imensa diversidade de formas de expressão artísticas com o tão necessário apoio do poder público. Hoje, estamos tendo a oportunidade de assistir a um fim de ano que promoveu o resgate de um Natal tipicamente popular; que vai do Guerreiro a Roberto Carlos, do Pastoril ao hip hop, do Fandango ao coro de crianças do Vergel do Lago, passando pela Ave Maria de Gonod, com Dyda Lyra e os Sons da Paz; encontro de Irina Costa com a doce Fernanda Guimarães. Implementa-se, assim, uma vigorosa proposta de revitalização do Natal nas praças de vários bairros da cidade, com afluência de milhares de pessoas interagindo com os artistas. Esta valorização do artista da terra amplia o mercado de trabalho para os agentes culturais locais, gerando emprego e renda para quem dedica sua vida a manter viva a tradição cultural do seu lugar de origem. Isto transforma. Revigora o senso de cidadania. Cidades como Salvador e Barcelona tornaram-se destinos internacionais por terem, ao longo de décadas, investido pesadamente neste segmento. A secretária Paula Saldanha, consagrada agente cultural local, parece possuir a exata medida da importância do resgate das tradições culturais regionais para a preservação da identidade cultural dos alagoanos, da circulação deste capital cultural, deste riquíssimo patrimônio, para a oxigenação da economia de nossa cidade. O Natal da Cidade foi encerrado com chave de ouro, às 23h do último domingo, pelo sanfoneiro Tião Marcolino e sua super banda. Numa dobradinha espetacular, Tião e o violinista Josélio fizeram uma apresentação triunfal, que nos remeteu a um grande baile de forró, com um viés ora sinfônico, ora jazzístico, sem que, em nenhum momento, perdesse a profunda identidade com a música regional. No Réveillon, a Cultura promete uma super queima de fogos, ali no Alagoinhas, seguido de um sambão com os craques Wilma Araújo e Igbonan Rocha. Réveillon que se preza é público, com direito a pé na areia, pular ondas e jogar flores para Iemanjá, como nos ensinam os cariocas. Portanto, gelem o champanhe, o prosecco ou o espumante, corram para lá e... Feliz Ano Novo!