Opinião
TEMPOS CHEIOS DE ETERNIDADE
Eis o recém-nascido 2012! Nos tempos em que nossa sociedade não vivia à deriva espiritual, mas tinha como bússola a fé comum em Cristo, escrever-se-ia: ano da graça de Nosso Senhor Jesus Cristo de 2012. Bom, para os fiéis cristãos, ainda é assim, será sempre assim: cada ano é ano de graça, tempo de graça, precioso, pois visitado pelo Deus nascido da Virgem em Belém de Judá! Iniciando o 2012, recordo as palavras da Escritura: ?Há um momento para tudo e um tempo para todo propósito debaixo do céu. Tempo de nascer, e tempo de morrer?... (Ecl 3,1s). Com estes dizeres, o Autor sagrado quer nos ensinar que a vida é mutável, instável, passageira: nenhum momento nosso é absoluto, duradouro; coitado do homem que se fixa somente nesta vida e nos seus valores, porque viverá sempre no contratempo, na ansiedade. Quanto tempo dura nossa alegria ou nossa tristeza? Até quando durará nossa saudade? E a gostosura da presença, a doçura da companhia da pessoa amada, por quanto tempo poderemos saboreá-las? Tudo é fugaz, incerto, passageiro! Num mundo que sonha em construir palácios bem estáveis, prometendo segurança perene e paz duradoura, mundo que nos quer dar a sensação de plenitude, dando-nos migalhas como o ter, o poder, o prazer, o parecer, a Palavra santa do nosso Deus insiste: ?Tudo tem seu tempo!?... O homem não tem como alicerçar sua vida somente em si mesmo, nos seus mesquinhos propósitos. Se quer viver de verdade, deve tirar os olhos do próprio umbigo e olhar para o Alto, para Aquele que está no céu e é eterno: somente nele nossos tempos ? sejam quais forem ? terão sempre sentido e serão sempre tempos de salvação! Somente nele, venha o tempo que vier, não perderemos o rumo e a esperança e o gosto da vida! Tudo tem seu tempo e sua hora; para tudo há um propósito debaixo do céu. Para nós, cristãos, estes tempos humanos ganharam uma dignidade inesperada, única: o Filho eterno do Pai entrou no nosso tempo, viveu a nossa vida, experimentou os nossos dias! Assim, deu novo sentido ao nosso tempo, à nossa vida, à nossa humana aventura. O cristão não se ilude com as promessas de segurança, conforto e paz que o mundo faz; por outro lado, sabe que a vida é preciosa, que o mundo é bom, que nossa vida tem valor imenso aos olhos de Deus: seu Filho entrou na nossa vida, veio viver nossa aventura e, pela sua ressurreição, elevou os nossos tempos humanos à glória da eternidade! Por isso mesmo, para nós, as palavras do Eclesiastes têm um sentido tão profundo: tudo tem seu tempo, sua hora... Mas, sejam quais forem nossos tempos e horas ? de dor ou alegria, de nascer ou de morrer ?, todos os nossos tempos são tempos do Filho de Deus, tempos que têm gosto de eternidade, tempos de salvação e de graça e de esperança e de vida eterna! Se é assim, podemos terminar com as palavras do salmista: ?Meus tempos, Senhor, estão em tuas mãos!? (Sl 31,15).