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Opinião

UM GRANDE V�CUO

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Meu primeiro artigo publicado nesta página, em 9 de maio de 2007, foi sobre um fato inusitado, acontecido em 1973, quando presidia o glorioso Centro Sportivo Alagoano. Intitulado ?O rapto do Dr. Bastinho?, narrei a façanha de tê-lo levado, sem seu prévio conhecimento, a Recife, para que eu conhecesse Rubem Moreira, eterno presidente da Federação Pernambucana de Desportos, assim como o dr. José Sebastião Bastos, vice-presidente da Confederação Brasileira de Desportos. Rubem e CSA há muito não tinham um bom relacionamento, fruto de desavenças futebolísticas entre ele e nosso saudoso presidente azulino Nilo Floriano Peixoto. Durante muitos anos, ficou o CSA preterido de participar das principais disputas nacionais, sendo sempre convidado o nosso arquirrival. Para se ter uma ideia, só ao chegarmos em Recife foi que d. Gerba soube onde estava seu amado, por telefonema de Rubem. Assim era o Bastinho, no futebol ou em qualquer atividade em que exercesse direção, sempre disposto a servir. Até se deixar raptar por uma boa causa. Nossa amizade vem dessa época, mas, após a publicação do artigo sobre seu sequestro, iniciou-se uma cumplicidade quando um novo artigo meu vinha a lume ou um dos memoráveis seus. Gostava de suas críticas, às vezes com um toque de ironia, outras sugerindo novos assuntos, advindas da vivência de seus quase noventa anos e de quem militou no jornalismo editando e dirigindo. E ele aceitava e estimulava que desse subsídios para novos artigos. Ficamos durante uns bons anos nesse intercâmbio gostoso. Dezembro passado chegou e, mesmo com publicações minhas, não estavam chegando seus alôs. Não quis cobrar, mas, com a aproximação do Natal, liguei para seu celular na sexta-feira (23) para desejar-lhe Boas Festas. Atendeu-me d. Gerba e, quando perguntei pelo meu amigo, disse-me: ?Zé Maurício, ele está na UTI, porém sem nenhuma melhora?. Para quem não imaginava Bastinho doente, foi um choque. Quis saber em qual hospital estava para visitá-lo, quando a surpresa foi maior ainda. Encontrava-se em Recife, no Hospital Memorial São José. Veio-me à mente os idos de 1973 e nossa viagem súbita, que denominei ?rapto?, e senti como se tivessem raptado o Bastinho. E de fato o foi, pois na segunda (26) recebia a notícia de seu passamento. Nas publicações de meus artigos, irei sempre sentir a falta de seus telefonemas; vou sentir a ausência de suas risadas e das suas conotações, mas vou sentir mais ainda o vácuo que nesta página ficará do articulista sensato e do pregador humilde que exprimia o antigo coroinha do Pe. Medeiros Neto.

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