Opinião
Uma conviv�ncia natural e intempestiva
Conviver com as intempéries é preciso, apesar de certa imprecisão nas previsões do tempo. Mesmo com o avanço da meteorologia, o rigor matemático ou a inexorabilidade dos augúrios não podem se realizar de forma infalível e/ou inflexível. Prevenir e preparar-se para os riscos climáticos de cada região são as bases para a convivência pacífica com a Natureza. A atual realidade brasileira bem demonstra a diversidade climática de nosso País. Em Minas Gerais, 53 cidades estão sob emergência em função das inclementes chuvas desabadas; por sua vez, no Rio Grande do Sul, a situação de emergência alcança 32 municípios flagelados pela seca. Na terra mineira, as águas estão ditando as regras. Rios transbordam e invadem cidades, varrendo com sua fúria pontes, estradas e casas; até a telefonia celular está sofrendo pela destruição de torres e antenas. No solo gaúcho, a falta d?água esturrica o chão e destrói lavouras de milho e soja, além de queimar vastas pradarias de pastagens, comprometendo as criações de gado e ovelhas. O mais prejudicial, nestes momentos, é se deixar levar pelas interpretações apocalípticas, sejam de cunho religioso ou de matiz ambientaloide. O intemperismo é próprio da vida, é uma das molas mestras da existência de nosso planeta. Secas, inundações, geadas, terremotos, tsunamis e maremotos, vulcões, ciclones e tornados e tudo mais que ?de repente? desaba sobre as cabeças ou irrompe sob os pés das pessoas (e demais animais) são manifestações naturais que antecedem, em muito, ao homem em nosso planeta. Depois de milênios convivendo com esses ?imprevistos?, sabemos, mais ou menos, como prevê-los. Desenvolvemos equipamentos e a ciência meteorológica; sabemos que um mesmo país pode sofrer, ao mesmo tempo, chuvas torrenciais e estiagens escaldantes. Sabemos que nem tudo pode ser previsto com precisão matemática, mas tendências podem ser identificadas com muita antecedência. E, frente às ocorrências de cataclismos (velhos conhecidos), temos como antecipar planos de emergência. Falta, porém, decisão política de investir nessa convivência naturalmente intempestiva.