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OS HOMICIDAS E SEUS PERIGOS IGNORADOS

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Certas tragédias chocam tanto pelo fato em si como pelos antecedentes do próprio acontecimento. Estes são os casos de dois assassinatos particularmente estúpidos ocorridos em Alagoas. Em ambas as ocorrências, apenas para citá-las como exemplo e não como eventos inusitados, às estupidezes dos atos criminosos somam-se as constatações de que os homicidas seriam pessoas de comprovados e reincidentes comportamentos criminosos, violentos e antissociais. Falamos dos casos dos assassinatos cometidos contra o modelo Eric Ferraz e do garçom Genival Ferreira, este trucidado em 29 de novembro de 2011 e aquele executado nas primeiras horas do dia 1º de janeiro de 2012. Os dois homicídios impactam pela futilidade das causas dos desentendimentos. Genival foi assassinado em plena luz do dia, numa das mais movimentadas artérias de Maceió, por conta de um pequeno incidente de trânsito. Eric perdeu a vida porque teria tentado dissuadir seu assassino de ?paquerar? uma jovem acompanhada. Antecedem, entretanto, a tão frívolas causas, os criminosos históricos de ambos os acusados pelos dois homicídios. Ao cidadão acusado pela morte de Genival já haviam sido endereçados dois mandados de prisão por assassinatos; contra o acusado de assassinar Eric pesavam já dois inquéritos policiais por tentativa de homicídio. Ambos os acusados viviam livres, soltos e (bem) armados. Revela-se aqui um grave problema que nada tem a ver com a onda de crescimento do crime organizado (cujo combate exige preparação e investimentos adequados). São ambos os homicídios produto da banalização da violência e da incompetência dos poderes públicos em fazer cumprir a Lei e as determinações judiciais. O que impede a detenção de dois indivíduos com endereços conhecidos quando sobre seus nomes pesam mandados de prisão cujo mote são homicídios e/ou tentativas de assassinato? Não é prioridade a vida humana? Não estão identificadas pessoas como perigosas, comprovadamente homicidas? Quais explicações e justificativas podem ser esgrimidas em defesa de tamanha falha?

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