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Opinião

O QUE � O CRACK?

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As informações relacionadas à chegada do crack no Brasil são advindas da imprensa leiga ou órgãos policiais. A apreensão de crack, realizada pela Polícia Federal entre 1993 e 1997, aumentou 166 vezes. A cidade de São Paulo foi a mais atingida. Não há, no entanto, informações amplas e sistematizadas sobre a evolução do consumo de crack no Brasil. Atualmente, há uma percepção generalizada de aumento de prevalência de consumo de crack em diversas regiões brasileiras, ainda que não tenham sido mensuradas de forma rigorosa em pesquisas epidemiológicas. De qualquer modo, a partir dos elementos já existentes, é possível dizer que, tendo em vista o grande sofrimento individual e familiar relacionado ao crack, já se trata de um problema de saúde pública em nosso meio. Além da mortalidade e da redução da expectativa de vida dramatizadas pelo fato de o dependente perder muitos anos em sua fase mais produtiva de vida, há um grande impacto social do crack e da cocaína, cada vez mais evidente em nosso meio. Uma teia de impactos socioeconômicos está relacionada a essa dependência: maior taxa de hospitalização; subemprego e desemprego; violência, vitimização e gastos com o sistema carcerário. Somam-se a esses custos uma rede de custos menos importante: estigma e isolamento social; perdas familiares; intenso sofrimento emocional. O crack é basicamente uma nova forma de apresentação e administração da cocaína, uma vez que a forma básica, obtida por adicção de uma base, como sulfato de amônio ou bicarbonato de sódio, a pasta base ou a cocaína na forma de cloridrato (pó em seu estado final de refinamento), faculta seu uso por via fumada. Tal via leva a uma disponibilidade plasmática da droga quase imediata ? a cocaína nessa forma de administração atinge o cérebro em alguns segundos, sem o efeito de primeira passagem no fígado, o que confere concentrações ainda maiores com uma mesma dose da substância. Assim, se origina a um padrão de consumo intenso e compulsivo, em que o padrão de binge é comum e recorrente. Muitos dependentes do crack passam a noite, ou mesmo dias seguidos, consumindo a droga até a completa exaustão, sem dormir e sem se alimentar minimamente. Isso implica, obviamente, em uma grande vulnerabilidade a doenças clínicas, desnutrição e, pela necessidade de manutenção da autoadministração, comportamentos compulsivos, violentos e promiscuidade no sentido de obtenção da droga ou dinheiro para a droga. Essa é a verdadeira realidade do crack com muitos prejuízos a todos.

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