Opinião
CHUVAS TROPICAIS: NADA MAIS NATURAL E PERIGOSO
Muito já se falou sobre o Brasil ser um País abençoado por não sofrer furacões ou ciclones, terremotos ou maremotos, desconhecer vulcões e os mais esturricados sertões sequer chegam aos calcanhares dos desertos menos inóspitos. Para ninguém dizer ser o Brasil o Éden dos bíblicos sonhos, algumas secas e várias enchentes nos flagelam. Mais as chuvas que as estiagens penalizam os brasileiros, isto é verdade, mas nem mesmo as águas desabadas com a típica fartura tropical chegam a ser tão caudalosas como as monções que encharcam especialmente o Sudeste da Ásia. Neste ano recém-iniciado, chove de forma mais inclemente sobre os Estados de Minas Gerais e Espírito Santo, onde grandes prejuízos têm sido registrados. A tragédia, mais uma vez, alcança milhares de lares, e muitas famílias perdem o que possuíam. Vidas são levadas pelas enxurradas. Chuvas não podem ser entendidas como um elemento surpresa em áreas subtropicais como o Brasil. Todo o nosso País é perímetro natural para chuvas torrenciais que podem cair em praticamente qualquer época do ano e com particular intensidade nas proximidades dos solstícios de inverno (junho/julho) e verão (janeiro/fevereiro). Infelizmente, políticas preventivas seguem sendo praticamente desconhecidas em todo Brasil. Seja no Norte ou no Nordeste, Sul ou Sudeste ou Centro-Oeste, frequentemente as chuvas apanham as populações despreparadas e os poderes públicos perplexos (como se esse previsível acontecimento natural fosse uma enorme surpresa) e imobilizados. Passadas as chuvas mais fortes, os caminhos naturais das águas serão, novamente, ocupados de forma temerária, malgrado a experiência vivida no momento anterior. Ravinas e margens de rios continuarão a ser ocupados de forma irresponsável, assim como encostas e/ou várzeas ver-se-ão povoadas de uma hora para outra. Estradas e pontes reconstruir-se-ão nas mesmas localizações vulneráveis. Mais dinheiro público será carreado para ações mitigatórias e não preventivas. E, nas próximas chuvas, as mesmas autoridades serão pegas de surpresa e chorarão tragédias anunciadas.