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Opinião

LULA E A RADIOTERAPIA

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O ano começa diferente para cada um de nós. Alguns privilegiados podem se dar ao luxo de iniciá-lo como terminaram o passado: em férias, sejam oficiais ou os tais ?recessos?, que não deixam de ser umas dissimuladas folgas a mais.Mas existem alguns profissionais,entre os quais os médicos, que entra ano, sai ano,não descansam. Digo para os meus colegas mais inconformados: se estivermos com saúde, tudo beleza. Muito pior é para aqueles que precisam começar o ano enfermos, e tendo que enfrentar um tratamento desgastante como é a radioterapia efetuada em algumas regiões pelo corpo, tais como a laringe. Lido com a radioterapia há 35 anos. Neste período houve imensa evolução na especialidade: surgiram os planejamentos e tratamentos tridimensionais;o Tratamento de Intensidade Modulada (IMRT);Braquiterapia de Alta Taxa de Dose ? colocação de sementes radioativas dentro dos tumores,antes era preciso internar os pacientes, isola-los por 4 ou 5 dias, agora se faz ambulatorialmente em 20 minutos: depois os pacientes vão para casa ? o que trouxe não só melhores resultados, como também,menos efeitos colaterais. Mas, ainda hoje quando certas regiões do corpo são acometidas por câncer ? como a boca, a laringe ?, os tratamentos com radioterapia, embora possam ser muito eficazes e curativos, ainda causam efeitos colaterais significativos. Na maioria destes casos os pacientes depois de duas ou três semanas, apresentam boca seca, certa dificuldade para deglutir os alimentos e não toleram ingerir álcool, o que em certas situações, ajuda. Esses efeitos são passageiros e a doença se não controlada, é fatal. È indispensável registrar em um caso como o de Lula, que a quimioterapia neoadjuvante a que se submeteu, apresentou boa resposta, com redução do tumor. Todavia, o tumor residual é constituído por um clone das células mais resistentes, o que obriga a uma radioterapia radical, que está sendo conduzida pelo radioncologista João Luis Fernandes,com quem tenho excelente convivência:nos congressos nacionais,compartilhamos entre outros hábitos, o das caminhadas nas manhãs antes das seções científicas. Orgulho-me especialmente de lhe ter transmitido a presidência da nossa sociedade nacional de especialistas. Lula, como Cristina Kirchner, Gianechini, e outros notáveis, começam o ano enfrentando uma doença grave e a luta pela sobrevivência. Quem estiver com saúde, mesmo trabalhando muito não pode se queixar.

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