Opinião
O espectro do drag�o inflacion�rio retorna
Pela aritmética do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) a inflação acumulada ao longo do ano de 2011 foi a maior desde 2004, quando registrou-se uma alta de 7,5%. No ano passado, o dragão cresceu 6,5%. Informa ainda o IBGE que o Índice Nacional de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA), referência de medição para a inflação oficial ?ficou no limite superior da meta que havia sido estabelecida pelo governo, de 4,5%, com margem de dois pontos percentuais para cima ou para baixo?. Os analistas do IBGE avaliam que ?a maioria dos grupos e serviços pesquisados apresentou alta em relação a 2010, em especial o segmento de transportes, por conta do aumento de preços de passagens aéreas e do etanol?. Antecipando-se a naturais questionamentos, o presidente do Banco Central, Alexandre Tombini, enviou comunicado à imprensa onde afirma que ?a meta para a inflação foi cumprida em 2011 pelo oitavo ano consecutivo? e que ?o índice de preços está em trajetória de queda e que continuará recuando em 2012?. E mais, para o big boss do BC, ?os indicadores econômicos reforçam a percepção de significativo arrefecimento das pressões inflacionárias?. Que assim seja, oremos. Que tal avaliação do BC venha a se refletir nas decisões do Conselho de Política Monetária (Copom) com a manutenção (por que não aprofundamento) do viés de baixa para a taxa básica de juro, a famigerada Selic. Não resta dúvida de que a economia nacional precisa ser libertada de, pelo menos, parte das retrógradas amarras da taxa de juro mais alta do mundo e da carga tributária das mais pesadas (e altamente burocratizada) do planeta. Afrouxar essas cadeias, porém, tem seus riscos. Reconhecer isto é atitude indispensável que deve anteceder ao desfraldar desta bandeira liberalizante, pois a inflação está longe de ser mero fantasma e seu poder destrutivo e empobrecedor é sobejamente conhecido dos brasileiros. O aumento inflacionário registrado deve, portanto, ser acompanhado com toda atenção. Sem medo, mas com total prevenção; sem recuos, mas avançando com segurança. Todo cuidado é pouco.