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Opinião

REVENDO NOSSOS �LBUNS DE VIAGEM

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Revendo nossos álbuns de viagem, encontramos as fotografias de algumas cidades do interior da França, das quais guardamos as mais gratas lembranças. São belas, históricas, e das quais nunca falamos em nossas crônicas. Em vez de questionar sobre as drogas, cujas soluções governamentais nunca resolvem o problema, já que as nossas fronteiras estão sempre abertas para que entrem à vontade, e sobre a violência que mata alguns cidadãos brasileiros, sobretudo alagoanos, todos os dias, achamos que seria mais saudável para os nossos leitores contar-lhes sobre regiões tranquilas e históricas que ficam no Sul da pátria de Charles Baudelaire. Trata-se da Bourgogne, terra de deliciosos vinhos, velhos prédios famosos e magníficas paisagens que se mudam, de vez em quando, de pastos verdes a montanhas românticas. Uma província onde a vida material se mistura às coisas do espírito! Partimos de Paris em um carro, sob um céu muito azul e transparente, deslizando docemente pela estrada asfaltada. Os plátanos a margeiam, lhe emprestando uma agradável sombra e grande beleza. Após algumas horas, começamos a atravessar o vale do ?Saône?. Os pastos verdes se perdiam no horizonte. Nas encostas das colinas cobertas de vinhedos, víamos os cachos de uvas maduras e apetitosas que pendiam dos galhos frágeis, dando-nos vontade de saboreá-las. Finalmente, nos aproximamos de Dijon, que aparecia lá distante, perdida no vale! As torres do santuário de Vézelay resplandeciam sob o sol forte. Os santuários da Bourgogne são célebres e numerosos. Uma multidão de peregrinos acorre cada ano para visitá-los. Logo que chegamos a Dijon, nos dirigimos ao local onde acontece a venda anual dos vinhos. É muito divertido ver a piedade com que os ?connaisseurs? experimentam os diferentes sabores do Bourgogne. Eles passam um pequeno cálice de prata cheio de vinho pelo nariz, para sentir o odor, e então finalmente o bebem. Os ??bourgengnons? são fortes e corados. Eles têm uma fala sonora e encantadora, característica própria da região. São muito orgulhosos de seus vinhos e dos homens ilustres que aí nasceram, como: Bossuet, um grande orador religioso do século 17, e Lamartinne, um dos mais famosos poetas franceses. Dijon, além de sua importância turística e comercial, guarda um patrimônio histórico e artístico precioso. É, também, importante por sua localização geográfica: é a porta de entrada para o comércio com a Europa do Leste.

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