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AHMADINEJAD: O IR� E A TRAG�DIA ANUNCIADA

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Enquanto o presidente do Irã faz sua incursão pela América Latina cresce a tensão sobre seu país, e a cada dia é acrescentado um copo de gasolina ao ?fogo-de-monturo? que crepita sob a antiga Pérsia. Mahmud Ahmadinejad, com seu discurso aloprado e agressivo, termina atraindo as atenções da mídia ocidental para sua figura, mas, na verdade, o tensionamento sobre Teerã, de certa forma, independe dele ou de qualquer outro presidente iraniano. O fato é que desde a revolução de 1979 o Irã tem perseguido, intransigentemente, o que suas lideranças religiosas consideram o caminho para a completa independência do país e para sua afirmação frente ao resto do mundo como uma nação islâmica poderosa. Um presidente mais diplomático, ou menos histriônico, poderia amainar o nível de exposição das tensões. E isto seria uma contribuição para a postergação desses conflitos que têm como pano de fundo o direito do Irã sobre suas próprias riquezas e o direito de seu povo decidir seus rumos sem a interferência direta das grandes potências ocidentais. A explosividade e intolerância de hoje têm suas gêneses no momento anterior à revolta encabeçada pelos xiitas, explodida em 1979, e que teve no aiatolá Khomeini seu líder inconteste. Esta belicosidade tem sua pedra angular no golpe que depôs o primeiro-ministro Mossadegh em agosto de 1953. Inexpressivos, os condutores da quartelada assumiram-se como financiados pelas potências estrangeiras e entronizaram como monarca um fantoche, Reza Palhevi, cuja tibieza e corrupção só fez acumular o ódio popular e o poder oposicionista dos fundamentalistas. Não podia dar outra numa nação cuja unidade é historicamente costurada pelo fio do islamismo: 26 anos depois eclodiu a revolução, iniciada ampla, mas que rapidamente foi empalmada pelos radicais muçulmanos. Hoje, o Irã vai se convertendo numa bomba de efeito já nem tão retardado assim. As intransigências mútuas, o cerco ocidental e o fundamentalismo das lideranças iranianas regem um preâmbulo de mais uma sinfonia de guerra, morte e horror. Oxalá esta tragédia, mais que anunciada, possa ser evitada.

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