Opinião
POR VEREDAS E RIACHINHOS
Confesso minha admiração pelo trabalho literário e de pesquisa contido da obra Veredas, caminhos e riachinhos, da escritora Lúcia Nobre. Estudar Guimarães Rosa, em uma das vertentes de sua obra, não é tarefa fácil; exige decisão, abnegação e desprendimento. Na autora, esconde-se uma personalidade singular, uma sensibilidade pertinaz, uma obstinada determinação. Busco em suas origens a identidade de seu pensamento com a dimensão da obra de Guimarães Rosa: o amor da autora ao Sertão. Lúcia Nobre nasceu em Santana do Ipanema, uma cidade sertaneja que produziu nomes da literatura alagoana. Igualmente, a ligação com o Rio Ipanema, o Panema, em cujas margens se criou, rio e riacho, ora corrente impetuosa nos rigores do inverno, ora pequenos alagados ou apenas um leito seco de areia e terra calcinada pelos extensos verões. Um rio em sua vida. Um rio na história de personagens de Guimarães Rosa. O Deus da vontade mostrou o seu caminho. De professora primária, dedicada e diligente, à especialista em Literatura Brasileira; do interesse pela obra de Guimarães Rosa ao Mestrado, estudando-o, nesse campo de ensino e de pesquisa. Para Lúcia Nobre, Guimarães Rosa apresenta um mundo regional com espírito universal; fala das vivências do Sertão mineiro, que também são de muitos outros sertões. O Sertão da autora conjuga-se com as descrições do Mestre, que encontram eco no caleidoscópio de suas lembranças e recordações. A obra que apresenta é consequência; são milhares de horas debruçadas na análise do que se escreveu sobre esse gênio da literatura brasileira e universal. Lendo o trabalho literário de Lúcia Nobre passo a conhecer melhor uma outra Lúcia Nobre, uma escritora com um brilho especial que se transmuda em suas imagens e criação imaginativa. Ah! Permitam-me reafirmar que a palavra anda de carona nas asas da imaginação, nos sentimentos que se transformam em pensamentos, pensamentos transcritos em palavras, percepções conduzidas no fio da estética criadora. Assim, Veredas, caminhos e riachinhos. A obra de Guimarães Rosa é absolutamente inesgotável. Cabem nela novos estudos na convivência dos numerosos recursos linguísticos que utiliza, de neologismos que cria, de realidades que transfigura; por isso mesmo, valoriza quem a estuda e analisa.