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Opinião

Promessas e realidades

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JOSÉ MEDEIROS * Por tudo que vem acontecendo em relação à economia brasileira, nestes últimos anos, é fácil depreender-se que não será simples a tarefa do futuro presidente da República. O desemprego cresceu, os problemas sociais se agravaram, o dólar alcançou a estratosfera e ampliou-se a dívida com o FMI e banqueiros internacionais. Esse panorama se completa com outros fatores negativos: a violência tornou-se rotina insuportável e a renda média dos brasileiros diminuiu sensivelmente. Uma porção de notícias ruins para quem vai assumir o comando da nação. São quadros dramáticos, retratos em preto-e-branco, difíceis quebra-cabeças para serem resolvidos. Essas considerações vêm a propósito de um debate sobre desemprego com um dos presidenciáveis. Uma das perguntas que lhe foram formuladas foi simples e clara: o desemprego no Brasil tem cura? O candidato não titubeou: reconheceu a gravidade do problema, que as tecnologias geraram desemprego (máquinas substituindo o trabalho de pessoas), que houve falta de crescimento econômico, de reformas na linha da economia e da política. A pergunta seguinte foi mais complexa: como compatibilizar essa realidade com a promessa de criação de milhões de empregos? Nesse ponto, a discussão virou um incêndio de posicionamentos. São tantos os postos de trabalho prometidos que, se acontecerem, boa parte da população vai respirar aliviada. A situação de desemprego é dramática, atinge em cheio as famílias. O estudante cumpre o seu papel: estuda, esforça-se, aperfeiçoa-se, faz tudo que é considerado necessário para melhorar o perfil de sua formação, e, no final, fica à margem do mercado de trabalho. Faz sua parte, o país é que não está cumprindo sua contrapartida. Por seu lado empregadores e empresas reclamam da asfixia a que são submetidos: pagam um salário ao trabalhador e mais um outro salário de impostos e encargos sociais. São contribuições à Previdência, FGTS, salário-educação, Sesi, Senai, Sebrae, Incra e despesas do tempo não trabalhado. Um dos presentes ao debate com o presidenciável contou que tem boa qualificação e passou mais de um ano procurando engajar-se no mercado de trabalho. Tudo difícil. Só encontrava placas explicativas: não há vagas. Gastou o solado de vários sapatos nessa procura. Buscou a Internet. Sua família comprava diariamente um jornal para que lesse os classificados. De repente, conseguiu um emprego fixo, de boas perspectivas de futuro. Uma vitória! Foi comemorada pela família como prêmio milionário recebido da loteria. Índices estatísticos do IBGE mostram que o número de jovens empregados ? na faixa de 18 a 25 anos ? caiu em quase a metade no período de 1991 a 2001. Desemprego é assunto complexo, ferida social, preocupante, contribui para desagregar as famílias, criando traumas e desesperanças. Humberto de Campos, escritor, repetia que ?a dor que mais dói num pai ou numa mãe é aquela que vem através da carne dos filhos?. Desemprego é dor aguda que necessita, para sua atenuação, de algo mais que analgésicos e medidas paliativas. (*) É MÉDICO E EX-SECRETÁRIO DE EDUCAÇÃO E DE SAÚDE.

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