Opinião
TREVAS CONTEMPOR�NEAS E A CONQUISTA DA LUZ
Malgrados os sonhos e as esperanças de que o século 21 se descortinasse como um tempo de paz, a barbárie da guerra e os horrores da extrema violência seguem a ensombrar o mundo. Ao longo desta semana que se encerra hoje, o noticiário foi permeado por cenas chocantes, como soldados americanos urinando sobre corpos de adversários mortos; por informações preocupantes, como a escalada das tensões e intransigências entre governantes iranianos e a Casa Branca (e a maioria dos governos europeus), e pelo registro de que pessoas seguem se imolando na Tunísia. Apesar de não ter tido a projeção midiática das vergonhosas cenas dos mariners nem das notícias sobre o Irã, é extremamente lamentável a constatação do aprofundamento da prática do gesto desesperado do jovem Mohamed Bouazizi, auto-imolado em dezembro de 2010. Nos últimos 12 meses, pelo menos 130 tunisianos atearam fogo ao próprio corpo como protesto político. O gesto suicida de Bouazizi gerou uma onda de protestos e findou por derrubar Zine al-Abdine Ben Ali da presidência da Tunísia. O movimento passou a ser considerado como o ponto de partida para a ?primavera árabe?. Como as expectativas primaveris não se confirmaram, 130 jovens tentaram repetir o processo sacrificando a própria vida. E, desgraçadamente, nem mesmo lograram êxito em, sequer, conquistar espaços na mídia. Os anseios mundiais por Paz, desgraçadamente, fenecem sob a repetição das mais abjetas formas de violência, intolerância e do mais profundo desrespeito ao ser humano. Os jovens tunisianos imolando-se em vão, as estupidezes entre as lideranças iranianas e americanas e o execrável gesto de soldados urinando sobre suas vítimas reafirmam não apenas a sobrevivência, mas a gigantesca força contemporânea dos piores sentimentos, das mais ignóbeis concepções, dos mais repugnantes sentimentos escondidos n?alma. Todas essas sombras devem-nos fortalecer a busca pela luz. Despertar nossa consciência sobre o quanto é importante não arrefecer dos sonhos nem renegar as esperanças por um mundo de Paz.