Opinião
Retorna-nos o mais tenebroso passado?
Como se já não fossem suficientes os reais e indiscutíveis números provenientes da violência e do banditismo que flagelam Alagoas, com as ?inovações? típicas do crime organizado como o tráfico, ressurgem informações confusas e extremamente preocupantes sobre o retorno de velhas e condenáveis fórmulas como a pistolagem à serviço das querelas políticas. As contraditórias informações sobre a interceptação e interrupção de um plano criminoso visando à execução de deputados estaduais lançam mais gasolina à fogueira da insegurança pública alagoana. O assassínio como recurso utilizável para a resolução de demandas políticas e eleitorais não é invenção alagoana, sequer brasileira, mas a recorrência deste formato criminoso na história de nosso Estado é uma chaga aberta, cuja periculosidade não permite aos alagoanos o olvido, ou o menosprezo, sobre tamanha tragédia. O imbróglio explodido entre os deputados Cícero Ferro, Dudu Hollanda e Maurício Tavares não é acontecimento de somenos importância. Por enquanto, se trata de uma profusão de versões em busca de comprovação, de denúncias procurando seus denunciantes. Os choques entre fatos e boatos só fazem multiplicar os temores e as desconfianças. Enfim, o que está a acontecer? Quais autoridades assumem as versões em circulação? Nesta semana, acontece o julgamento dos acusados por um dos momentos mais vergonhosos de nossa história, a chacina contra a deputada Ceci Cunha e seus familiares. Nestes dias, Alagoas está, portanto, duplamente devolvida aos subterrâneos sombrios da utilização do assassinato como método de modificação dos resultados das urnas. De um lado, o espectro verdadeiro da abominável execução de uma deputada e seus familiares no dia de sua diplomação; noutra face da mesma moeda, irrompe um turbilhão de versões desencontradas sobre a iminência de repetição de tamanha indignidade. O mais temerário nesta junção do passado tenebroso com um suposto presente assustador é a potencialização da insegurança pública, do sentimento de vulnerabilidade do alagoano e a exposição da impotência do poder público.