Opinião
STEPHEN HAWKING, DEUS E DEUS
Provavelmente você já tenha ouvido falar em Stephen Hawking, o brilhante físico e cosmólogo inglês. Para ele, Deus é dispensável na explicação da existência do universo: ?Deus não tem mais lugar nas teorias sobre criação do universo, devido a uma série de avanços no campo da física?. Por haver uma lei como a gravidade, o universo pode e irá criar a si próprio do nada. A criação espontânea é a razão pela qual algo existe ao invés de não existir nada, é a razão pela qual o universo existe, pela qual nós existimos. O Big Bang seria simplesmente uma consequência da lei da gravidade. Observe a contradição da assertiva: se o universo foi criado do ?nada? tem necessariamente que haver algo que o tenha tirado desse nada: do nada só vem o nada, se for por iniciativa de nada! A gravidade, diz Hawking, foi a causa de tudo! Então esse ?nada? não seria ?nada?, mas a gravidade! Pois bem! E de onde procede tal gravidade? Quem a colocou? Qual sua causa primeira, a sua condição de possibilidade? É o velho dilema, já apresentado por Aristóteles e retomado em lances brilhantes por Santo Agostinho, Santo Anselmo de Cantuária, São Tomás de Aquino e outros filósofos. O universo clama por um Ser que o tenha chamado do nada ao existir; um ser que lhe é anterior e com ele não se confunde nem dele depende: ?Meu Deus, como fizeste o céu e a terra? Evidentemente não criaste o céu e a terra no céu e na terra, nem no ar ou na água, porque também estes pertencem ao céu e à terra. Nem criaste o universo no universo, pois, antes de o criares, não havia espaço onde ele pudesse existir. Nem tinhas à mão matéria alguma com que modelaste o céu e a terra. Que criatura existe, senão porque tu existes?? (Santo Agostinho) O cientista inglês parece ter caído na armadilha em que tantos outros antes dele já caíram: partir de uma noção totalmente errônea de Deus para negar Deus! Deus não é apenas outra força no universo, junto com a gravidade ou a eletricidade. Uma coisa é certíssima: a ciência e cientista algum, por brilhante que seja, jamais poderão provar que Deus existe ou que Deus não existe. Se o conseguissem provar, estariam falando de algo que não é Deus, mas apenas um conceito torto e redutivo do Deus verdadeiro. Talvez tenha sido isto que Stephen Hawking fez: afirmou ter provado que a hipótese da existência do seu deus, da sua concepção de Deus, é dispensável para explicar a existência do universo. Quanto ao Deus verdadeiro, o Santo, o Absolutamente Outro, o Eterno que está para além de tudo e no mais íntimo de tudo, não foi sequer arranhado pelo cientista inglês.