Opinião
Exorcizando um espectro terr�vel
Marca época o julgamento dos acusados pela chamada ?Chacina da Gruta?, quando foram covardemente trucidadas quatro pessoas. A vítima central daquele chocante acontecimento foi a deputada federal Ceci Cunha, sacrificada pelo simples fato de ter sido reeleita. Segundo as informações coligidas ao longo das investigações, a bárbara sentença de morte emitida contra ela foi expandida para quem quer que estivesse em sua companhia no momento do atentado. Um ato de selvageria e frieza assassina que chocou o Brasil. E segue chocando, pois, 13 anos depois de tamanha atrocidade, os acusados, enfim, enfrentam o julgamento. O crime de mando marcou a política alagoana de forma indelével, num passado nem tão distante em que próceres destacados e simples cidadãos eram vítimas de sicários a serviço de alguém descontente com o resultado das urnas ou incomodado pela proeminência local de uma liderança que não de seu agrado. Num determinado espaço de tempo, a população alagoana supôs serem parte de um passado nefasto tais ocorrências, apesar de alguns episódios teimarem em chamar a atenção para a sobrevida desta quimera mortal. A brutalidade da ?Chacina da Gruta? destroçou um sonho de paz em, praticamente, seu nascedouro. E, ao mesmo tempo em que este julgamento está ocorrendo, explodem novas denúncias de esquemas criminosos, cujo centro seria o assassinato de parlamentares com o fito de subtrair-lhes o mandato, subtraindo-lhes a vida. Somam-se, nestes dias em curso, as sombras de um recente passado tenebroso com o espectro de um presente nefasto. A projeção para o futuro, observada tal realidade, é assustadora. Mais assustador ainda se apresenta o cenário, em função de as autoridades policiais estarem conseguindo se manter distantes do quadro fértil, em boatos e gravíssimas denúncias sobre um suposto plano de morte a pairar sobre os deputados Dudu Hollanda, Maurício Tavares (e Marcelo Victor, segundo alguns). E nenhum esclarecimento convincente emana dos órgãos responsáveis pela segurança pública.