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Dilema chin�s,desafio mundial

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Mais uma notícia advinda da China merece atenção do resto do mundo. A novidade dá conta de que, pela primeira vez em sua milenar história, sua população urbana ultrapassa o número de moradores em áreas rurais. As informações vêm da agência governamental Escritório Nacional de Estatísticas. As contas indicam 51% de sua população, de 1,3 bilhão de almas, habitando as cidades no final de 2011, cravando o crescimento de um ponto percentual além do ano anterior. Tal inversão nas fatias de moradores urbanos e rurais na China produzirá, indubitavelmente, mais uma sequência de mudanças fantásticas. As lições desse processo, as positivas e as negativas, devem ser estudadas atentamente, pois os dilemas enfrentados em proporções mastodônticas pelos chineses são os mesmos, em dimensões menores e nem sempre proporcionais, que desafiam a maioria das nações do planeta, mui especialmente aquelas em processo de desenvolvimento. Os erros e acertos vanguardeados pelos chineses apresentar-se-ão nas duas frentes, simultaneamente. Campo e cidade, dilema moderno expresso com muito mais dramaticidade na China que do mundo, a partir de agora, ganham novas interpretações. Tanto a explosiva urbanização quanto o instigante esvaziamento dos campos densamente ocupados (por milênios) expressarão transformações fundamentais. Pode-se especular com alterações capazes de embaçar as visões paradas no foco maoísta, talvez com um (antes impensável) grande salto para as plantations, em substituição à ancestral base camponesa. As alterações nas cidades já eram perceptíveis a olho nu desde mesmo antes de Deng Xiaoping e a nova personalidade urbana chinesa apresenta-se escancarada há décadas. Mas também campo é previsível a adoção de políticas ousadas e inovadoras, compatíveis com a substituição irresistível (do que resta) das históricas bicicletas por automóveis de todos os tipos. Isto sem falar nos dilemas da habitação e demais serviços citadinos disponíveis para um universo de, pelo menos, 630 milhões de viventes (crescendo, no mínimo, a 1% ao ano...). Prestemos atenção: as lições nos serão utilíssimas.

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