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Opinião

No alto mar da irresponsabilidade

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Pelas informações disponíveis até agora, a mais forte hipótese sobre as causas do surpreendente naufrágio do navio Costa Concordia, ao largo da Itália, aponta para um condenável erro humano. Sempre, em quaisquer circunstâncias, o prejulgamento deve ser evitado. Mesmo diante das mais ululantes evidências, à condenação devem ser antecedidas investigações isentas e garantido o pleno direito de defesa aos acusados. As circunstâncias do infausto, porém, não podem dispensar ilações e, o mais importante, reflexões sobre as possibilidades descortinadas. Raciocínios úteis e construtivos para a adoção de procedimentos defensivos; porém inúteis e prejudiciais se usados como se veredictos fossem. Isto posto, reflitamos sobre os riscos da autoconfiança como indutora de ultrapassagens às normas de segurança básica. Toda a atividade profissional, desde tempos imemoriais, é obrigatoriamente revestida de procedimentos de segurança. Seja na forma correta de manusear uma enxada, seja no pilotar de um supersônico; seja fritando um peixe, seja operando um reator atômico. Nos circos, por exemplo, esses limites são apenas aparentemente desrespeitados como forma de multiplicar as emoções das plateias; e até (e principalmente) nos picadeiros os resultados apresentam-se trágicos quando seus próprios critérios são desobedecidos. O exemplo trágico do Costa Concordia é um terrível alerta sobre quão criminosa é a arrogância profissional. Um gesto alegre pode se transformar numa ação assassina, prejudicando um sem-número de pessoas inocentes, a partir das vítimas diretas do sinistro até aos empregos e bens de um grande número de seres que depositaram suas vidas e seus bens em mãos supostamente dignas de confiança. O livre-arbítrio, portanto, é um direito só possível de ser exercido, em atividades arriscadas, com a estrita observância das normas éticas e técnicas. Isto vale para toda e qualquer responsabilidade profissional, trata-se de uma lição indelével, mesmo na hipótese de vir a ser atestada a (improvável) inocência daquele cuja missão, a mesma dos velhos marinheiros, é conduzir a nau em segurança.

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