Opinião
As desigualdades que flagelam o Brasil
Mais um dado reafirma o sobejamente conhecido sobre o desencontro entre os índices econômicos e sociais do Brasil. Nosso País apresenta a segunda maior desigualdade dentre todos os países integrantes do G20. Somos menos pior apenas que a África do Sul. A conclusão decorre da pesquisa intitulada ?Deixados para trás pelo G20??. Assinado por uma instituição não governamental chamada Oxfam, auto-apresentada como ?entidade de combate à pobreza e a injustiça social?, o estudo garante que ?os países mais desiguais do G20 são economias emergentes. Além de Brasil e África do Sul, México, Rússia, Argentina, China e Turquia têm os piores resultados?. Mantendo sua lógica cartesiana na análise das relações entre os indicadores econômicos e sociais, a Oxfarm aponta que ?as nações com maior igualdade, são economias desenvolvidas com uma renda maior, como França (país com melhor resultado geral), Alemanha, Canadá, Itália e Austrália?. A entidade, porém, avalia que mesmo caindo pelas tabelas sociais, o Brasil é ?um dos países onde o combate à pobreza foi mais eficaz nos últimos anos?, destacando que 12 milhões de brasileiros emergiram da pobreza absoluta no período compreendido entre 1999 e 2009. Nesse espaço de tempo o Coeficiente de Gini baixou de 0,52 para 0,47 [este índice vai de zero (mínimo de desigualdade) a 1 (máximo de distância entre ricos e pobres)]. Ou seja, esse trabalho confirma e quantifica o que já sabíamos, até por sentir na pele: o Brasil cresce economicamente, realiza a inclusão social, mas as diferenças sociais ainda são acachapantes. A distância entre ricos e pobres ainda é coisa da pré-modernidade. E se o estudo tivesse se alongado para as disparidades regionais teríamos aí números igualmente chocantes, numa reafirmação de nosso País como uma pátria marcada por desigualdades monstruosas. Confirmado o já conhecido, resta-nos investir mais ainda na superação dessas diferenças entre os brasileiros.O momento é este, no ascenso econômico, posto a partilha de riqueza só ter sentido em momentos de prosperidade.