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Opinião

DUAS FIGURAS INESQUEC�VEIS

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Terminava o ano de 2011. Soubemos com tristeza da partida para a eternidade de José Sebastião Bastos, o estimadíssimo Bastinho. Participei com outros amigos de sua despedida terrena lá no Estádio Rei Pelé. Começava o ano de 2012 e nos chega a triste notícia da morte de Anilda Leão. Estava viajando. Fiquei muito sentido. Mas, como diz o Livro dos Provérbios: ?Fazemos nossos planos, mas Deus tem a última palavra?. Os dois viveram intensamente a vida fazendo o que gostavam. Bastinho, apaixonado pelos esportes, lutou e sofreu para projetar Alagoas no cenário nacional. Amigo pessoal de João Havelange recusou inúmeros convites para residir fora de Alagoas, exercendo cargos de confiança na CBF e até na FIFA. Nenhum lhe atraiu. Deixar sua querida terra alagoana, jamais. Meu dedicado companheiro do Instituto Histórico, ali sempre presente, com simpatia e bom humor, batalhava pelo desenvolvimento cultural de Alagoas. Oitentão equilibrado, ele sabia que envelhecer não era morrer aos poucos, era viver cada vez mais. Não deixava que o precioso tempo que era dele se perdesse. Anilda Leão, poetisa, escritora, declamadora e cantora, era minha estimada companheira da Academia Alagoana de Letras. Amiga de minha tia Maria Alice que também era declamadora, foi com essa dupla que eu aprendi a admirá-la desde os tempos de minha adolescência, nos recitais que elas promoviam em Maceió, ao lado de Linda Mascarenhas. Casada com Carlos Moliterno, jornalista e escritor brilhante, era um casal ímpar nos encontros culturais acontecidos em nossa cidade. Viveu em plenitude, ao lado dos dedicados filhos.O segredo de uma vida feliz, dizia ela, era conviver com pessoas que estimava, tendo como objetivo de vida a música, a poesia e o amor ao próximo. Ambos estão mortos. Bastinho e Anilda descansam no seio da terra, como dizia Cecilia Meireles, ?Longe das marés do mundo?. E partiram, acredito, dizendo como Samuel Símile: ?Se querem viver, despertem e lutem?. Que eles estejam na paz do Senhor. Aproveito este espaço para homenagear os aposentados da minha terra, pois no próximo dia 24 será o seu dia. Que todos eles sejam felizes. Como andarilhos do tempo vamos andando e pensando nos versos de Fernando Pessoa: ?Temos todos que vivemos/uma vida que é vivida/e outra que é pensada/e a única que temos/é essa que é dividida/entre a verdadeira e a errada?. Sejam felizes, aposentados da minha terra. Aquele abraço.

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