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Ilhas da disc�rdia e as sombras da guerra

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Como se já não fossem suficientes os horrores das guerras no Oriente Médio, além das primaveras sanguinolentas que, apesar de destronarem alguns ditadores, não emitem nenhum sinal do desabrochar de democracias, velhas feridas cutucadas de forma provocativa devolvem o espectro guerreiro à América Latina. Embora seja compreensível a não digestão dos argentinos da amarga derrota para os britânicos na ?Guerra das Malvinas?, a retomada da verborragia por Buenos Ayres não é o que se poderia avaliar como uma estratégia sábia para recolocar o problema da propriedade das ilhas que os ingleses chamam de suas pelo nome de Falklands. Travada entre os dias 2 de abril e 14 de julho de 1982, a guerra pelas Malvinas foi, em sua época, uma bazófia militarista da ditadura argentina. Buscavam os militares portenhos gerar uma onda de patriotismo capaz de evitar o regime terrorista imposto pela força das armas em 1976. Apostando na indubitável simpatia do povo argentino pela reconquista do arquipélago empalmado pelos britânicos desde 1833, o general Galtieri lançou-se à guerra segundo um plano traçado pelo almirante Anaya. Com tremendo alarido lançaram-se sobre as ilhas pretendidas, acreditando que os ingleses seriam convencidos pelos americanos a engolir a agressão em nome da harmonia entre os inimigos da ?cortina de ferro?. Quebraram a cara. Os ingleses toparam a parada. Despacharam-se das ilhas britânicas e deram uma tremenda surra nos argentinos, cujas forças armadas estavam absolutamente despreparadas para um combate real, posto acomodadas na covarde missão de ?travar a guerra interna? contra os esquerdistas nativos desde o golpe de 1976. Em menos de três meses os comandados de Galtieri rendiam-se, desmoralizados. A ditadura argentina esfacelou-se depois da derrota humilhante. No lado vencedor, a primeira-ministra britânica Margaret Thatcher resplandeceu numa versão guerreira da Dama de Ferro. Ganhou fácil a eleição seguinte em seu país e afirmou-se como uma estadista que honrou a tradição de Churchill. Quererão os argentinos, sob a democracia, repetir sua tragédia como a de 30 anos?

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